Prêmio PIPA 2017: Uma retrospectiva da oitava edição do Prêmio

O Prêmio PIPA chega ao final da sua oitava edição cumprindo a sua missão: estimular e promover a produção de arte contemporânea brasileira, dando visibilidade a artistas com destaque no mercado de lugares diversos do Brasil, com trajetórias recentes ou já consolidadas. O Prêmio também se estabelece, cada ano um pouco mais, como uma importante plataforma de pesquisa da cena atual de arte no país, integrando hoje 367 artistas com páginas biográficas nos sites do Prêmio, que podem ser continuamente atualizadas, e incluem currículos, textos críticos, imagens de obras e vídeo entrevistas exclusivas, em que cada artista fala sobre seu processo criativo, formação, inquietações, desejos e percursos.

O ano foi de novidades e mudanças. A primeira delas foi que, pela primeira vez, o anúncio dos vencedores das categorias PIPA e PIPA Voto Popular foi feito junto com o lançamento do catálogo. A mudança foi pensada para reunir, em uma única publicação, todos os dados, informações e imagens – como a lista de vencedores e as fotos da mostra – referentes edição vigente. Até o ano passado, este tipo de informação entrava apenas no catálogo da edição do ano seguinte. Além disso, o catálogo do Prêmio PIPA 2017 ganhou uma série de textos críticos inéditos sobre as obras dos quatro finalistas, Antônio Obá, Bárbara Wagner, Éder Oliveira e Carla Guagliardi. Cada um dos finalistas pode convidar um crítico/curador para escrever sobre sua obra/trajetória. Com isso, a publicação, que ao longo dos quase dez anos de existência do Prêmio PIPA se estabelece como uma importante ferramenta de pesquisa, torna-se ainda mais relevante. Para o curador do Instituto PIPA, Luiz Camillo Osorio, a medida não só permite um adensamento da obra dos quatro finalistas a partir do diálogo com a crítica, como também funciona como “um incentivo para a formação de novos críticos”.

Preparamos uma retrospectiva dos acontecimentos do Prêmio PIPA 2017 para relembrar alguns dos destaques do ano e os vencedores de todas as categorias do Prêmio.

 

PIPA & PIPA Voto Popular

“A premiação principal quer valorizar e qualificar as produções cuja circulação nacional e internacional já são mais consistentes, além de mostrá-las em exposição numa das instituições mais prestigiadas do país – o MAM-Rio.” – Luiz Camillo Osorio

PIPA: Principal categoria, na qual o vencedor é escolhido pelo Júri de Premiação. O vencedor recebe R$ 130 mil, sendo parte desse valor (em torno de R$ 25 mil) utilizado para financiar a participação do artista no programa de residência artística internacional da Residency Unlimited, em Nova York, EUA. O Júri de Premiação define o vencedor com base nas obras expostas na mostra do MAM-Rio, na análise das trajetórias e portfólios dos artistas, bem como na relevância do prêmio em dinheiro e da participação no programa de residência artística internacional para o desenvolvimento da carreira de cada finalista.

No dia 18 de novembro, anunciamos, com exclusividade no nosso site, a vencedora de 2017: Bárbara Wagner, que concorria ao Prêmio ao lado dos finalistas Antônio ObáCarla Guagliardi e Éder Oliveira. Bárbara foi escolhida pelo Júri de Premiação, este ano composto por Consuelo Bassanesi, Fernando Cocchiarale, Leda Catunda, Luiz Camillo Osorio e Marcelo Campos.

PIPA Voto Popular Exposição: Segunda categoria exclusiva para os finalistas, onde quem define o vencedor é o público que visita a exposição do PIPA no MAM-Rio e vota no seu artista preferido. O vencedor recebe R$ 24 mil. Este ano, o artista vencedor do PIPA Voto Popular foi Éder Oliveira, que recebeu 643 votos de um total de 1.807 durante o período de votação entre 23 de setembro e 05 de novembro.

Assista ao vídeo do anúncio dos vencedores, apresentado por Luiz Camillo Osorio no MAM-Rio:

PIPA Online

“A premiação online busca principalmente, dar visibilidade e impulsionar artistas sem tanta presença institucional.” – Luiz Camillo Osorio

O PIPA Online é a categoria do Prêmio na qual todos os artistas indicados na edição vigente são convidados a participar. A participação não é obrigatória. O vencedor é definido pelo número de votos recebidos em sua página, aqui nos sites do PIPA. O objetivo principal é divulgar todos os artistas indicados e a arte contemporânea brasileira através da internet. São premiados dois artistas que conquistarem o maior número de votos. Eles recebem uma doação de respectivamente R$10.000 (1 lugar) e R$5.000 (2 lugar). Ambos doam uma obra para o Instituto PIPA (a serem definidas em comum acordo entre os artistas e a coordenação do Instituto).

O PIPA Online aconteceu em dois turnos, o primeiro com início no dia 16 de julho e o segundo, no dia 30 de julho. Dos 56 artistas indicados ao Prêmio PIPA 2017, 52 participaram da premiação online. Este ano, foram registrados o maior número de votos no primeiro turno na história do Prêmio, totalizando 11.678 votos. Ao final da primeira fase de votações, 12 artistas haviam se classificado para a segunda fase, sendo dois deles, pela primeira vez na história do Prêmio, finalistas – Antônio Obá e Éder Oliveira.

A disputa foi acirrada. No dia 7 de agosto foram anunciados os vencedores: totalizando 4.103 votos, o artista Jorge Luiz Fonseca ficou em primeiro lugar e, com 2.969 votos, a artista Musa Michelle Mattiuzzi foi a segunda colocada.

 

Exposição dos Finalistas no MAM-Rio

Todo ano participam da exposição do Prêmio quatro finalistas selecionados pelo Conselho entre os artistas indicados pelo Comitê de Indicação da edição vigente. Este ano, a exposição do oitavo ano do Prêmio PIPA aconteceu no MAM-Rio entre os dias 23 de setembro e 26 de novembro e apresentou obras dos quatro artistas finalistas de 2017, Antônio Obá, Bárbara Wagner, Éder Oliveira e Carla Guagliardi. “Eles têm em comum intensidade poética e compromisso com uma verdade expressiva a ser conquistada, sem concessões”, declara Camillo sobre os finalistas desta edição.

Nascido em Ceilândia (Brasília) e criado numa família de tradições católicas, Antônio Obá, indicado pela primeira vez ao Prêmio PIPA este ano, tem um trabalho que investiga suas raízes, ao mesmo tempo que explora aspectos religiosos e raciais da cultura brasileira. Corpo, ritual, miscigenação, afrobrasilidade e negritude são algumas das questões que permeiam sua obra. Na Exposição dos Finalistas, Obá exibiu o trabalho “Ambiente com Espelhos”. A instalação consiste em uma série de molduras antigas cujos espelhos foram substituídos por placas de ferro. Ao lado de cada quadro, uma monotipia representando uma parte do corpo de Obá. A obra procura refletir sobre uma identidade nacional, brasileira, através da construção desses espelhos que nada refletem.

– Na verdade, minha proposta é problematizar isso: ao mesmo tempo em que você se enxerga por ser um espelho, é um espelho que não te oferece uma precisão, é sempre duvidoso. Não é uma identidade precisa, mas uma identidade passageira, frágil.

Antonio Obá, série “Ambiente com Espelhos”, 2017

Explorando o que chama de “corpo popular”, a vencedora do prêmio PIPA, Bárbara Wagner, apresentou obras que repensam duas danças típicas do Carnaval pernambucano: o frevo e o maracatu nação. Em “Faz que Vai”, série que engloba um vídeo e quatro fotografias, os movimentos exigidos pelo frevo são combinados aos de danças pop nas performances de quatro bailarinos. Já “A Corte” retrata integrantes de um grupo de maracatu de Recife momentos antes de desfilarem no Carnaval. Fantasiados, eles protagonizam uma alegoria sobre a imutabilidade das relações sociais brasileiras desde os tempos coloniais.

Bárbara Wagner, “A corte”, 2013

Com uma poética centrada na instabilidade, Carla Guagliardi explora em sua produção noções como a de equilíbrio e desequilíbrio, permanência e vulnerabilidade. A artista apresentou no MAM-Rio “Fuga II”. A obra é uma continuação da pesquisa escultórica que ela vem desenvolvendo há trinta anos, e combina blocos de concreto, tubos de cobre e uma corda elástica. Os temas que permeiam a obra da artista aparecem de novo ali: imobilidade e mobilidade, temporalidade e atemporalidade, peso e leveza.

Carla Guagliardi, “Fuga II”, 2017

Éder Oliveira, vencedor do PIPA Voto Popular deste ano, desenvolve uma longa pesquisa em torno da identidade do homem amazônico através do retrato. Interessado nesses rostos que figuram nas páginas de crimes dos jornais, Éder reflete sobre marginalização e precariedade social de uma determinada parcela da sociedade. O artista reproduziu em uma das paredes do MAM-Rio um dos painéis monumentais da série “Arquivamento”. Desenvolvida desde 2004, ela retrata, em cores primárias, indivíduos apontados como criminosos pelos jornais populares de Belém do Pará.

– A ideia é questionar por que são sempre essas mesmas pessoas que estão relacionadas a situações de vulnerabilidade e criminalidade – explica.

Éder Oliveira, série “Arquivamento”, 2004-

Os quatro finalistas falaram um pouco sobre as obras na exposição e sobre sua trajetória artística no vídeo produzido pelo DoRio Filmes, que registra o processo de montagem da exposição. Confira:

Catálogo 2017

Os catálogos do Prêmio podem ser baixados gratuitamente em PDF diretamente no site. Já estão disponíveis os livros de todas as edições, de 2010 a 2017. A mudança mais importante no catálogo deste ano foi a inclusão série de textos críticos especiais sobre os finalistas da edição. “Qualificar e fortalecer o circuito de arte é missão do PIPA. Contribuir para o alargamento do debate crítico é parte disso, tornando o catálogo da exposição do prêmio algo mais denso e relevante”, comenta Luiz Camillo Osorio, sobre o acréscimo no catálogo. Ele também ressalta que a publicação é bilíngue, com textos em inglês e português. “Dá-se assim mais um passo no desdobramento do PIPA como um arquivo em construção da arte contemporânea brasileira”.

O catálogo de 2017 tem 200 páginas e inclui, além de textos e imagens dos trabalhos de todos os artistas indicados desta edição, informações gerais sobre o Prêmio, textos assinados pelos curadores Luiz Camillo Osorio, do Instituto PIPA e Fernando Cocchiarale, curador do MAM-Rio, um diagrama explicando a dinâmica do prêmio e imagens da exposição do ano anterior.  

 

O Prêmio PIPA deseja a todos boas festas! Que 2018 seja repleto de novos desafios e horizontes para a arte contemporânea brasileira. E fiquem atentos para o lançamento da nona edição do Prêmio, que promete muitas mudanças e novidades.


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