Marcelo Cipis e Pedro Wirz participam da coletiva “Fábula, frisson e melancolia”

(São Paulo, SP)

Indicados ao Prêmio PIPA em 2013 e 2016, respectivamente, Marcelo Cipis e Pedro Wirz se juntam à Tiago Tebet em “Fábula, frisson e melancolia”, coletiva que começa nesta sexta-feira, 29 de setembro, no Instituto Tomie Ohtake. A exposição faz parte da sexta edição do Arte Atual, programa do museu que incentiva a produção contemporânea a partir de parcerias entre a equipe curatorial do museu (formada por Paulo Miyada, participante do Comitê de Indicação em 2016, e Carolina de Angelis), artistas convidados, galerias e instituições.

A ideia da mostra é, literalmente, explorar os sentidos de fábula, frisson e melancolia, definidos como o “mistério que transborda sobre a natureza apreendida pela humanidade”, a “excitação coletiva em estágio de espetáculo”, e a “inércia, desilusão ou pulsão que não alcança seu alvo”. Assim, Marcelo Cipis exibe o vídeo feito originalmente para a Bienal de São Paulo de 1991, junto a uma grande tela de 2,5 por 6 m, que reproduz o painel de fundo utilizado para a gravação do vídeo. Além disso, um conjunto de cerca de 10 pinturas que enfatizam o ruído e o inacabado, aspectos pouco vistos na produção do artista, mas que estão presentes em obras de diversos períodos, tendo se intensificado recentemente. Trata-se de um ambiente midiático, habitado por promessas de felicidade e bem-estar. Com afeto, o artista imaginou a face de um corporativismo bondoso, em imagens de humor aparentemente despretensioso. O vídeo de 1991, que divulga a empresa “Cipis Transworld, Art, Industry & Commerce”, dá indícios de um mundo em que a tecnologia e o mercado conviveriam de modo harmônico com a arte e a criação. O tempo, porém, deixa transparecer a angústia por trás do riso – o descontentamento que começa, recomeça e provoca curtos-circuitos no traço antes tão claro e preciso. Pinturas e desenhos demonstram indecisão e incerteza processual.

Já Pedro Wirz, frente a uma época de inversão de valores e sentidos, volta-se a reminiscências atávicas. Retoma sua infância, retoma as raízes, o folclore, as histórias contadas em volta da fogueira… lendas, geografias e psicologias inteiras construídas graças à possibilidade do fantástico. Wirz propõe uma sala na penumbra, que instiga o visitante a adentrar a mata – evocada pelo estalado dos gravetos sobre o solo – e encontrar uma ciranda de figuras diminutas. Na instalação estarão duas esculturas, uma peça pequena em bronze sobre o solo, que representa pessoas girando em roda, como em uma ciranda; e uma enorme cobra de taipa sobre madeira na parede, enrolada. Grandes quantidades de terra fazem labirintos no chão, cera e troncos de árvores secos compões texturas, madeiras ganham as mais variadas formas. A lida com o bronze, constante em seu trabalho, rememora uma técnica tradicional da produção escultórica.  

Por fim, Tiago Tebet apresenta um conjunto de cerca de 15 pinturas inéditas. O artista também deambula à procura de imaginários outros, aspectos do real que alimentem novos imaginários, mas seu território é a grande cidade. Nela, encontrou uma arquitetura divergente daquela que se ensina nas universidades e da que os empreendedores reproduzem, vorazes por novos negócios. Nem ciência, nem negócio, a arquitetura que lhe interessa é a do saber-fazer passado de geração em geração. O vernáculo: cimento, massa, pintura, textura, cor, ornamento. Tudo se processa e intensifica no ateliê do artista. Telas brancas exibem padrões típicos de técnicas de pinturas de casa. Pedras, massa e uma mistura de areia com cola somam-se a um procedimento de raspagem para revelar gradientes inusitados de cores vibrantes. No conjunto, de pinturas, porém, não predomina a celebração: algo áspero retorna e insiste em aumentar a gravidade de cada uma das pinturas.

“Cada um se afina com determinado campo de fabulações que atravessam paisagens cotidianas – sejam as urbanas, as rurais ou aquelas presentes no imaginário coletivo. Como artífices, extrapolam as formas e os signos dados, criando imagens novas e cativantes” explicam os curadores, Miyada e Carolina. “Contrapostos com a realidade atual, porém, não deixam de revelar alguma fissura, um descompasso com um mundo que se especializou em consumir sonhos, ou vendê-los como paródias decaídas de si”.

Veja algumas das obras que integram a coletiva:

“Fábula, Frisson e Melancolia”, coletiva com Marcelo Cipis, Pedro Wirz e Tiago Tebet
Curadoria por Paulo Miyada e Carolina de Angelis

Em cartaz de 29 de setembro a 29 de outubro
Abertura: Sexta-feira, 29 de setembro, às 20h

Instituto Tomie Ohtake
Av. Brigadeiro Faria Lima, 201 – Pinheiros
T: (11) 2245-1900
Funcionamento: ter – dom, 11h às 20h
instituto@institutotomieohtake.org.br



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