Jonathas de Andrade, "Eu, mestiço"

Instituto Moreira Salles inaugura novo edifício em São Paulo

(São Paulo, SP)

O Instituto Moreira Salles (IMS) ganhou uma unidade esta semana: o novo endereço do centro cultural é em uma das avenidas mais movimentada de São Paulo, a Avenida Paulista. Uma das maiores iniciativas privadas de cultura no país – caso, também, do Instituto PIPA –, o IMS SP abriu ao público hoje, 20 de setembro, e recebeu mais de 2.000 pessoas em sua inauguração. Construído como um museu vertical e pensado a partir de conceitos sustentáveis, o prédio de sete andares conta com amplos espaço expositivos, cinema e auditório, além de uma biblioteca de referência em fotografia. Junto da inauguração do novo espaço, o Instituto abriu ainda cinco exposições: a videoinstalação “The Clock”, de Christian Marcley; as exposições fotográficas “Robert Frank: os americanos e os livros e os filmes”, “São Paulo: três ensaios visuais” e “Câmera aberta”, de Michael Wesely, além da coletiva “Corpo a corpo: a disputa das imagens, da fotografia à transmissão ao vivo”.

Na última, sete artistas – entre eles os indicados ao Prêmio PIPA Bárbara Wagner, finalista de 2017, Jonathas de Andrade, finalista de 2011, Letícia Ramos, finalista de 2015 e Sofia Borges, indicada quatro vezes ao Prêmio – refletem sobre como as imagens podem nos ajudar a enxergar os conflitos sociais que emergiram no Brasil nos últimos anos, como questões de classe e raça. Os sete foram convidados a pensar sobre o retrato, individual ou coletivo. Dos trabalhos, nascem importantes discussões sociais que revisitam feridas históricas do Brasil, acrescentando novos olhares ao debates latentes do cenário político hoje. O mote da exposição é o uso do corpo como um elemento de representação social e atuação política – seja pela presença física e simbólica nos espaços públicos, seja como o veículo condutor da câmera, seja como lugar de expressão da individualidade, que aproxima e separa os indivíduos.

Bárbara Wagner e Jonathas de Andrade apresentam trabalhos que interrogam a antropologia e a sociologia para desfazer estereótipos e desmontar preconceitos. Bárbara, que vem se dedicando a estudar a relação entre as manifestações artísticas populares, especialmente musicais, e as novas formas de produção e circulação de imagens, apresenta os trabalhos em vídeo “À procura do 5º elemento”, que acompanha o processo de seleção do novo MC que integraria o portfólio de uma famosa produtora de funk em São Paulo, e “Terremoto Santo, um documentário musical com jovens cortadores de cana da Zona da Mata pernambucana que sonham em gravar um videoclipe gospel. Já Andrade apresenta o trabalho “Eu, mestiço”, feito a partir de uma pesquisa sobre raça e classe no Brasil rural realizada nos anos 1950 pela Unesco. O trabalho discute como o corpo negro é lido socialmente de forma estereotipado, expondo um racismo latente na nossa sociedade. Por fim, Sofia Borges e Letícia Ramos apresentam fotografias que discutem a lógica dos jogos de poder no Brasil e a representação visual da violência.

“Corpo a corpo: a disputa das imagens, da fotografia à transmissão ao vivo”, coletiva com Bárbara Wagner, Garapa, Jonathas de Andrade, Letícia Ramos, Mídia Ninja e Sofia Borges
Curadoria de
Thyago Nogueira e Valentina Tong (assistente)
Em cartaz de 20 de setembro até 30 de dezembro de 2017

Instituto Moreira Salles São Paulo (IMS SP)
Avenida Paulista, 2424
Funcionamento: ter – dom, 10h às 20h; qui, 10h às 22h
T: (11) 2842-9120
imspaulista@ims.com.br



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