Luiz D'Orey, "Untitled 53", 2017, colagem com objetos encontrados, 152x127 cm

Luiz d’Orey explora as transformações do cenário urbano em sua primeira individual

(Rio de Janeiro, RJ)

Há dois anos, Luiz d’Orey começou a arrancar lambe-lambes dos tapumes de obra em Nova York. Não: o jovem de 24 anos não é um rebelde sem causa. Radicado na “grande maçã” desde 2012, ele vem utilizando os pôsteres como principal matéria-prima para suas pinturas, em uma série que pode ser conferida a partir de hoje, 16 de agosto, na galeria Mercedes Viegas

Esta é, aliás, a primeira individual de d’Orey, formado em Belas Artes pela School of Visual Arts. Intitulada “quase plano” e curada por Guilherme Gutman, membro do Comitê de Indicação do Prêmio PIPA 2016, a exposição se aproveita do cruzamento entre acaso e intenção. “Uma das coisas que mais me interessa nesse sistema são os limites criados pela disponibilidade do material, que naturalmente me propõem problemas pictóricos a serem resolvidos”, explica o artista.

Para além da estética, ao apropriar-se de um material encontrado nas ruas, d’Orey também acaba esbarrando em questões políticas. “O mais interessante é que a matéria-prima foi produzida com outras intenções, como a de anunciar um show, promover uma marca…”, reflete. Em um vídeo retratando o processo de feitura das pinturas, o artista conta como incorporou os cartazes contra Donald Trump que começaram a pipocar na cidade depois de sua eleição: “Tive a ideia de usar a arquitetura da Trump Tower para sobrepôr a essa imagem dos pôsteres.”

Engana-se quem acha que, depois de prontos os quadros, o processo termina. Em uma espécie de retroalimentação infinita entre obra e cidade, d’Orey ainda fotografa e reproduz em lambe-lambes cada uma das pinturas após terminá-las, colando-as novamente nos tapumes de obra. No final, ele busca os pôsteres, em geral modificados por outras intervenções urbanas, e os utiliza como base para a criação de novos quadros.  Conheça abaixo o processo de criação das pinturas expostas em “quase plano”:

“quase plano”, individual de Luiz d’Orey
Curadoria de Guilherme Gutman

Em cartaz de 17 de agosto a 30 de setembro de 2017
Abertura: Quarta-feira, 16 de agosto, às 19h

Mercedes Viegas Arte Contemporânea
Rua João Borges, 86 – Gávea
Funcionamento: seg – sex, 11h às 19h; sáb, 15h às 19h
T: (21) 2294-4305



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