“Fluxo Bruto”, individual de José Bechara no MAM-Rio

(Rio de Janeiro, RJ)

“Fluxo Bruto”, individual de José Bechara, artista indicado ao Prêmio PIPA 2010, está em cartaz no Museu de Arte Moderna do RJ (MAM). Dando continuidade à pesquisa desenvolvida em trabalhos anteriores, o artista apresenta nessa exposição esculturas-objetos em vidro que lidam com questões relacionadas à concretude de formas e estruturas e à inconcretude do espaço.

Apesar de ter iniciado a carreira como pintor, Bechara transferiu muito de sua prática na pintura para seu fazer artístico atual, em especial sua linguagem radicalmente reduzida, compromissada com a arte concreta. Seu entendimento profundo das estruturas construtivas que formam o esqueleto interno de uma pintura pode ser encontrado, também, na materialidade sólida das placas de vidro expostas em “Fluxo Bruto”.  As peças de vidro são, ao mesmo tempo, um corte no espaço, uma vez que o ocupa e nele interfere, mas também um elemento discreto, aparentemente invisível dada sua transparência, que não cria qualquer barreira entre o espectador e o espaço. São, assim, uma contradição em si, questionada apenas pelos vários itens que Bechara combina com as placas de vidro, como uma grade vermelha, uma cabeça prateada (autorretrato do artista) ou pequenos pacotes embrulhados e coloridos.

Num cenário em que o vidro é um material recém-explorado na arte contemporânea, as obras de José Bechara salientam a percepção conceitual do construtivismo brasileiro e a transferem para uma abordagem contemporânea. 

“Alumínio, mármore, madeira, placas de vidro, tinta e oxidação de emulsões de cobre e ferro. Tridimensionais que se confundem com pinturas. Bidimensionais que se aproximam de esculturas. Trabalhos inéditos por estarem, de fato, sendo vistos pela primeira vez ou por reunirem peças realizadas em anos anteriores em outros arranjos, como a ampliação da volumetria original ou a adição de elementos intrusos, pensados a partir da relação com o espaço arquitetônico ou do diálogo com o conjunto da exposição. Fluxo bruto de José Bechara ocupa o Salão Monumental, reunindo todos esses elementos em seus trabalhos de grande escala.
A mostra do artista carioca encontra eco no pensamento da curadoria do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, não só na sua maneira de lidar com o acervo da instituição, mas também na programação que vem apresentando ao público. Para além de apresentar as peças mais conhecidas (e procuradas) de seu acervo, em leituras já estabelecidas pela história da arte, ou mesmo de pensar isoladamente mostras de artistas brasileiros e internacionais, nosso interesse é também estimular os diálogos inusitados (entre obras de uma mesma exposição, e também entre artistas que dividam a programação do museu), revelando outras possibilidades de leitura da obra de arte e de sua história.” Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes
Curadoria do MAM-Rio

 

“Fluxo Bruto”, individual de José Bechara
Curadoria de Beate Reifenscheid
Em cartaz de 25 de julho até 05 de novembro de 2017

MAM- Rio
Av Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo
Funcionamento: ter –sex, 12h às 18h; sáb – dom, 11h às 18h
T: (21) 3883 5600


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