Vencedor do Prêmio PIPA 2016, Paulo Nazareth abre nova individual

(São Paulo, SP)

No chão, produtos de cozinha e limpeza, além de alimentos variados. Em um pallet, cartazes com logotipos de marcas brasileiras célebres. Objetos que, não fosse a instituição em que se encontravam, o MAM-Rio, poderiam parecer inofensivos. Era só a partir do título do trabalho de Paulo Nazareth, grande vencedor do Prêmio PIPA do ano passado, que os visitantes da Exposição dos Finalistas do Prêmio PIPA 2016 começavam a entender seu verdadeiro intento. Intitulada “Produtos do Genocídio”, a obra reúne, nas palavras do artista, produtos de “marcas que levam nomes de povos indígenas que sofreram genocídio de alguma maneira a partir da chegada europeia”.

A obra “já feita”, de produtos apropriados, aparece repaginada na individual que o artista mineiro inaugura na Mendes Wood DM neste sábado, 08 de abril, sua terceira na galeria. Além dela – que agora exibe os “produtos do genocídio” dentro de blocos de resina, aludindo ao congelamento histórico das questões trazidas pelo nome dessas marcas  –, a exposição apresenta ainda um vídeo e uma série de desenhos.

O vídeo, “Ol Ori Buruku”, de 2015, retrata um imigrante nigeriano no topo do Edifício Itália, olhando para a cidade de São Paulo enquanto derrama insultos na língua ioruba. O idioma, falado pela segunda leva de africanos escravizados que chegou ao Brasil, é aqui usado para reconhecer a frustração do homem diante da distância do país natal e a decepção com o centro urbano de possibilidades. A partir dessa estratégia, Nazareth consegue unir passado e presente afirmando que o problema do nigeriano é, na realidade, secular: ontem e hoje, a sociedade não permite que o indivíduo preserve a própria identidade.

A série “Bestiário Capital”, composta por desenhos de animais que são  logomarcas de produtos para o mercado em geral, fecha a exposição. Além dos desenhos, cartazes de bailes e eventos de periferia, com inserções de círculos brancos pintados pelo artista com Pó de Pemba (Efun), ironizam a importância historiográfica do movimento concretista brasileiro como um circuito social branco, rico e fechado, que em função de uma relação de poder, escondeu e marginalizou a produção que existia fora desse grupo. Assim, Nazareth provoca o embate entre a favela e modernismo na arquitetura que expulsa o povo de seu lugar até hoje, não só geograficamente, mas em todos os contextos possíveis.

Vista de “Produtos do Genocídio”, obra de Paulo Nazareth em sua individual na Mendes Wood DM

Relembre, abaixo, a montagem da Exposição dos Finalistas do Prêmio PIPA 2016, de que Paulo Nazareth participou com a obra “Produtos do Genocídio”:

“Paulo Nazareth”, individual de Paulo Nazareth
Em cartaz de 08 de abril a 13 de maio de 2017

Mendes Wood DM
Rua da Consolação, 3368
Funcionamento: seg – sáb, 10h às 19h
T: (11) 3081-1735
info@mendeswooddm.com



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