“Coletiva” explora técnicas do desenho em obras de 24 artistas

(São Paulo, SP)

A Galeria Vermelho apresenta, do dia 26 de novembro de 2016 a 21 de janeiro de 2017, Coletiva, a sua última exposição do ano. A mostra, que apresenta obras baseadas nas técnicas próprias do desenho, reúne 24 artistas e trabalhos produzidos a partir de 2008.

Participam da exposição os artistas Ana Maria Tavares, André Komatsu (finalista do Prêmio PIPA 2011), Angela Detanico e Rafael Lain, Cadu (vencedor do PIPA em 2013), Carla Zaccagnini, Carmela Gross, Dias & Riedweg, Dora Longo Bahia, Edgard de Souza, Gabriela Albergaria, Gisela Motta e Leandro Lima, Guilherme Peters, Henrique Cesar, Lia Chaia, Marcelo Moscheta (vencedor do PIPA Voto Popular 2010), Maurício Ianês, Nicolás Robbio, Nitsche, Odires Mlászho, Rodrigo Braga (vencedor do PIPA Voto Popular 2012) e Rosângela Rennó.

Ainda no dia da abertura da exposição, acontecem três eventos de lançamento: o primeiro, na Sala Antonio, é a estreia do filme Diário, de Marilá Dardot; o segundo, o lançamento do novo livro-obra do finalista do PIPA em 2011 Jonathas de Andrade, Ressaca Tropical, editado pela Ubu Editora; e o terceiro, também um lançamento do livro-obra {[()]}, do indicado à primeira edição do Prêmio PIPA Thiago Honório, desta vez no espaço Tijuana da galeria.

Sobre as obras na mostra:

Ana Maria TavaresAirshaft para Piranesi VI, 2013
Os trabalhos dessa série mostram ambientes 3D onde um espaço ficcional é construído para comentar a vida utópica e mecânica imaginada pelo modernismo, revelando um mundo perdido abissal. No caso de ‘Airshaft’, a ideia é reproduzir um mundo que respira inquieto e quebra-se constantemente em uma perspectiva espelhada e fragmentada.

Rosângela RennóMemory Link, 2009-2010
Onze bastiões e três portões, cada um com uma ponte levadiça, pontuam a imponente muralha de pedra, de planta circular, construída pelos venezianos, que governaram a ilha de Chipre entre 1489 e 1571, para abrigar a capital. Depois de onze anos de guerra civil (1963 – 1974), a ilha foi dividida em dois países, mantidos separados, até hoje, pelo que é chamado de ‘último muro da Europa’. Os sobreviventes da guerra não cruzam a fronteira; quem não se recorda desse período parece não se dar conta de que a forma circular da muralha só se completa do outro lado da fronteira. Rosângela Rennó encomendou onze desenhos ‘de memória’ para habitantes de Nicosia Norte e Sul,e os aplicou a transparências sobre a foto aérea da muralha, hoje engolida pela cidade que cresceu e ultrapassou o desenho original da fortaleza. O desenho ‘de memória’ do cidadão comum de Nicosia mostra aquilo a que ele atribui mais relevância ou aquilo que ele conhece e reconhece, dentro de sua vivência pessoal e de seu contato com a cidade. Se o indivíduo só vê 5 dos 11 bastiões da muralha, talvez ignore que existem outros 6, do outro lado do muro. Ou talvez saiba de sua existência, mas não lhes dê nenhuma importância.

Carla Zaccgnini Petrificación, 2011
Este trabalho examina representações de explosões presentes no Memorial Soviético à Guerra localizado no Parque Treptower, em Berlim, onde altos-relevos de concreto narram a história da Segunda Guerra Mundial através de cenas alegóricas como ponto abstrato, descrito por Zaccagnini como “espaços para o vazio de sentido que caracteriza esta e outras Guerras “. Através do processo de frottage (decalque com lápis sobre papel a partir de uma matriz), Zaccagnini reproduz e solidifica essas imagens amorfas de modo icônico e sintético. O trabalho expressa a frustração inerente a qualquer tentativa de traduzir a experiência – uma tarefa que, como diz o influente teórico pós-colonial Gayatri Chakravorty Spivak, é “impossível, mas necessária”.

André KomatsuVolátil 11, 2016 e
Na série volátil, barras de ferro são apoiadas por pregos que sustentam sua estabilidade e desenhos são gravados na parede com incisões verticais e horizontais formando uma grade. As barras ficam na posição horizontal, diagonal ou em curva e o desenho se coloca no momento em que há uma distorção na barra. O vergalhão de ferro, material comumente utilizado para estruturar edificações, estabelece uma certa rigidez ao trabalho. O trabalho procura estabelecer uma tensão entre uma realidade invisível, o controle e suas possíveis distorções.
André Komatsu – Estudo de campo, 2016
Na série Estudo de campo, Komatsu mistura impressões, recortes de revista e desenhos com nanquim para investigar a relação entre projeto, construção e política.

Gabriela AlbergariaRaizes de Saman, Hacienda La Trinidad, 2013
O trabalho de Gabriela Albergaria usa frequentemente imagens que têm a sua origem no espaço de jardins e parques. Os jardins representam a nossa ficção do mundo natural e são construções muito elaboradas, sistemas de representação e mecanismos descritivos, mas também ambientes votados ao estudo e ao lazer, isto é, a processos culturais e sociais de produção de noções históricas do que é o saber e o prazer.

Edgard de SouzaSem título, 2016 e Rabiscos, 2016
Em “Sem Título”, Edgard de Souza desenha com os dedos sobre uma “pele” de veludo. O desenho formado é referencial ao de outro artista, José Leonilson (1957-1993), com quem de Souza tem/ teve convergências poéticas e pessoais. Há um triplo contato na obra: o do dedo sobre o veludo, o do desenho recriado e o da memória.
Os “Rabiscos” de Edgard de Souza registram seus movimentos. São desenhos feitos durante missões simples: dançar, falar ao telefone, usar as duas mão ao mesmo tempo, usar a caneta até o fim, ser simétrico, evitar a simetria. Cada uma dessas incumbências gera um desenho diferente, seja gráfica ou materialmente, que se impõe sobre o suporte de modo diferente. No entanto são embates e análises de seu corpo, que parece presente em cada um deles.

Henrique CesarAtlas, 2015; Bioma, 2016 e Tratado caligráfico, 2013
Atlas é na mitologia grega um titã que sustenta os céus ou a esfera celeste. Na obra homônima de Henrique Cesar, a cúpula de acrílico é a estrutura que segura a estrela solitária, composta de pontas de para-raios, e carrega gravada em si representações de algumas das leis de funcionamento do universo.
Na série “Bioma”, refinarias de petróleo ganham aspectos de microbiomas.
Já em “Tratado caligráfico”, Henrique Cesar traduz leituras mecânicas de eletrocardiogramas para um testemunho pessoal, feito de próprio punho, sobre as atividades de um coração.

Gisela Motta e Leandro LimaCircuito impresso, 2008-2016/ Circuito condutor, 2015-2016
Em “Circuito Impresso” e “Circuito condutor”, Motta e Lima transformaram, respectivamente, mapas aéreos de transito e de águas de grandes cidades do mundo em placas de circuito impresso de equipamentos eletronicos.

Angela Detanico e Rafael LainWhere Now Goes To (Zulu time), 2008
Zulu time usa um código de navegação estabelecido no século XIX para transformar o sistema de fusos horários em um alfabeto. Angela Detanico e Rafael Lain usam estes fusos horários como letras. O novo alfabeto é apresentado como uma cartografia e conecta experiências de tempo e espaço.

Guilherme PetersTentativa de aspirar ao grande labirinto, 2013
Em Tentativa de aspirar ao grande labirinto, Peters escrutina um dos Metaesquemas de Helio Oiticica por meio de uma simulação criada com ferramentas de edição 3D. Na obra, Peters se apropria ainda do texto Brasil Diarréia, escrito por Oiticica em 1970, que aponta para a diluição dos elementos construtivos brasileiros.

Marcelo MoschetaEstudios de revoluciones, 2016
Durante sua residência em Honda, em 2016, Moscheta coletou pequenas pedras no vale do rio Magdalena. Tratado como um estudo geológico detalhado, e baseado na estética das placas de ilustração científica do séc. XVIII feitas por José Celestino Mutis no mesmo lugar, o título refere-se tanto ao movimento de rotação das pedras quanto à história da Colômbia – cenário de Muitas guerras e disputas desde sua colonização. As pedras são os testemunhos desta história moldada em si e na paisagem brutal que as rodeia desde tempos imemoriais.

Marcelo MoschetaAmbulare, 2016
Os trabalhos dessa série examinam diferentes intervenções feitas pelo homem na Terra e suas escalas. Esses trabalhos foram realizados a partir de uma imersão de Moscheta no deserto do Atacama, aonde o artista se deparou com trilhas feitas por povos ancestrais. São desenho que o artista enxerga nas construções dessas trilhas ou na manipulação de formas de pedras ou ainda na construção de Apachetas – pequenas pilhas de pedras organizadas de forma cônica como oferendas feitas pelos povos indígenas dos Andes da América do Sul à Pachamama ou a outras divindades, que são normalmente posicionadas em partes mais difíceis das trilhas do deserto.

Nicolás RobbioPeles, 2016
Nicolás Robbio se inspirou na obra do arquiteto e artista austríaco Friedensreich Hundertwasse, e em seus manifestos, que visavam homem e natureza como um corpo só, para construir xxx. Hundertwasse desenvolveu uma teoria, conhecida como Cinco Peles. A primeira pele seria a epiderme; a segunda seria a vestimenta, como passaporte social e como primeiro nível de distinção de homem do mundo; a casa atua como terceira pele; o meio social e cultural atuam como quarta pele; e a quinta e última pele seria a natureza, o planeta Terra. Na obra de Robbio, as peles são sete: corpo, roupa, casa, bairro, cidade, país e atmosfera.

Nicolás RobbioCubo, da série Sólidos platônicos, 2016
A obra de Nicolas Robbio busca, através de linhas, recortes e sobreposições, reformular a estrutura de objetos comuns. Tudo é construído sobre o campo bidimensional: diagramas, contornos e vazios formam um interminável repertório de “notas sobre objetos cotidianos”.

CaduTrópico de capricórnio, 2014
O políptico evidencia o registro da passagem e da mudança da posição do sol no Trópico de Capricórnio, gravando rastros do sol sobre uma caixa de areia negra, com o auxilio de uma lupa, trinta dias antes do início da primavera. As 18 imagens registram os dias ensolarados do período. Trabalho desenvolvido durante a residência Plataforma Atacama, sob curadoria de Alexia Tala.

Maurício IanêsQuatro palavras, 2013
Em “Quatro palavras”, as cinco letras da palavra GESTO são repetidas quatro vezes, com pinceladas feitas à mão por Ianês, e combinadas para formar quatro versões diferentes da mesma palavra. Neste trabalho, a ação de escrever/pintar demonstra a incorporação da linguagem pelo corpo do artista, e traz à tona o aspecto performático tão presente no trabalho de Ianês.

Dias & RiedwegTapetão 1 Blocão, 2016
As obras da série “Blocão” foram inicialmente criadas em 2014 a partir de uma colaboração com a crítica de arte Glória Ferreira e a artista Juliana Franklin. Ela reúne uma seleção de frases polêmicas proferidas por políticos e personalidades da mídia.

Odires MlászhoRiverrun, 2013
Riverrun é composta por 14 partes que, em conjunto, forma uma longa frase, a partir dois alfabetos distintos. À tipologia reta e legível empregada em um deles, Mlászho sobrepõe um segundo alfabeto criado com tipos arcaicos e “torturantes”, de difícil compreensão e leitura.

Carmela Gross Escada F, 2012
Autoportáteis, fáceis de carregar e armar, escadas são máquinas simples. (De)compõem o esforço do corpo para atingir alturas, desejadas pelo olhar. No ritmo dos degraus, cada passo vira alavanca para mover o corpo inteiro, coordenando no plano inclinado a força combinada de braços e pernas.

Dora Longo BahiaÁgua morta, 2016
Nesta série de pinturas sobre papelão, estão representados destroços de navios deixados no território antes ocupado pelo Mar de Aral, que tem encolhido gradualmente desde os anos 1960 após projetos de irrigação soviéticos terem desviado os rios que o alimentam. Acompanham os navios, imagens de peixes extintos ou em processo de extinção.

“Coletiva”, Ana Maria Tavares, André Komatsu, Angela Detanico e Rafael Lain, Cadu, Carla Zaccagnini, Carmela Gross, Dias & Riedweg, Dora Longo Bahia, Edgard de Souza, Gabriela Albergaria, Gisela Motta e Leandro Lima, Guilherme Peters, Henrique Cesar, Lia Chaia, Marcelo Moscheta, Maurício Ianês, Nicolás Robbio, Nitsche, Odires Mlászho, Rodrigo Braga, e Rosângela Rennó
Abertura: 26 de novembro das 13 às 17h
De 26 de novembro de 2016 a 21 de janeiro 2017

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