Cinemateca MAM-Rio | “Curso Petrobras de cinema brasileiro contemporâneo”

(Rio de Janeiro, RJ)

A Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro oferece, a partir do dia 05 de novembro, “Curso Petrobras de cinema brasileiro contemporâneo”, com Hernani Heffner. O curso aborda a inserção do cinema no panorama cultural brasileiro, entre 1994 e 2016.

Apresentação

Baile perfumado (1997) simboliza um conjunto de mudanças sensíveis na trajetória histórica do cinema brasileiro. Surge como um dos marcos de sucesso da chamada Retomada, afirma um novo pólo de produção e a irreversível regionalização da produção, incorpora o cineasta como personagem mundano e passível de crítica, valoriza a influência estética estrangeira e principalmente apresenta o rito de passagem do herói popular à contraditória condição burguesa. O cinema realizado no Brasil nos vinte anos seguintes amplia e aprofunda essas características, moldando uma cena contemporânea atravessada ainda pela crescente marginalização do filme brasileiro no mercado tradicional, pela diversificação dos mecanismos de produção e circulação, pela virada para o digital, pelo surgimento de novos arranjos criativos, com destaque para coletivos e cooperativas de produção, e por uma renovada experimentação estética a partir do questionamento crítico de referenciais tradicionais.

Por outras palavras, e apesar de uma aparente filiação temática à tradição fílmica brasileira, Baile perfumado aproxima-se de uma agenda cultural e artística contemporânea, moldada pelo Neo-liberalismo e pela Globalização, firmando-se como um marco para os novos tempos. Nele afloram e se superpõem questões como imigração, violência local, consumismo e os fantasmas da vida política à direita e à esquerda. Esboça-se mesmo uma indistinção entre cenário rural e meio urbano, aqui tomados como prolongamentos um do outro, em uma tendência que não se confirmaria totalmente nos anos seguintes.

Cinematografia isolada dentro do contexto latino-americano e fortemente marcada por perspectivas nostálgicas, retrabalhadas pelo documentarismo histórico e biográfico, assim como por uma ficção denegativa e purgadora de traumas políticos, a produção fílmica brasileira estigmatiza o urbano e rechaça o retrato existencial cotidiano, promovendo um retrato não-utópico e a-distópico da contemporaneidade da Nação. Tamanha disjunção do grave quadro de barbárie política e social solicita uma radicalidade estética como reproposição da cultura como instrumento transformador.

O curso perseguirá justamente as obras que se aproximam de uma perspectiva crítica e matizada da vida urbana brasileira contemporânea em suas contradições, transnacionalismo e subjetivismo domesticado.

A relação da Petrobras com a atividade cinematográfica e audiovisual brasileira ocorre há mais de 20 anos e se estende a todos os segmentos do setor: produção, distribuição, preservação, pesquisa e educação. A participação estrutural da empresa se faz sentir não só pelos investimentos realizados, mas também pelo papel cultural e político que exerce na intermediação entre a criação e a recepção da arte brasileira. Ao propor o presente curso a Petrobras quer se somar a mais um esforço de difusão e estudo de uma produção que em grande parte contou com seu investimento, estimulando o pensamento não só sobre as questões do cinema, mas do país em momento de reflexão profunda em torno dos seus destinos.

Cronograma de encontros

sáb 5 nov Demarcando uma tendência
Baile Perfumado, 1997, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas
Paulo e Ana Luiza em Porto Alegre, 1998, de Rogério Ferrari

sáb 12 nov Seis personagens em busca de um lugar
Edifício Master, 2002, de Eduardo Coutinho
Muro, 2008, de Tião

sáb 19 nov Nostalgia do verde
Aboio, 2005, de Marília Rocha Man
Road. River, 2004, de Marcellvs L.

sáb 26 nov Retro Futurismo Estrada para Ythaca, 2010, de Ricardo Pretti, Luiz Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes e Rua Escadinha 162, 2003, de Márcio Câmara

sáb 3 dez Favela movies A vizinhança do tigre, 2014, de Affonso Uchoa e Geraldo Voador, 1994, de Bruno Vianna

sáb 10 dez A cidade despedaçada
A Cidade é uma só?, 2011/versão longa, de Adirley Queiróz
Recife Frio, 2009, de Kleber Mendonça Filho

sáb 17 dez Anjos e demônios
O lobo atrás da porta, 2013, de Fernando Coimbra
Action painting n1/n2, 2014, de Krefer & Turca

dom 18 dez A paisagem contemporânea O menino e o mundo, 2014, de Alê Abreu A era de ouro, 2014, de Leonardo Mouramateus e Miguel Antunes Ramos e Aquele cara, 2013, de Dellani Lima

Coda – projeções extras em datas a serem definidas
Pacific, 2009, de Marcelo Pedroso
Paixão e virtude, 2014, de Ricardo Miranda

“Curso Petrobras de cinema brasileiro contemporâneo”, ministrado por Hernani Heffner
sábados, 5 nov – 18 dez 2016, 9h – 13h
gratuito, 180 vagas, inscrições ENCERRADAS. Sugerimos aqueles que não conseguiram se inscrever que estejam presentes no dia 05 nov, 9h, pois estarão abertos os lugares em caso de desistência ou não comparecimento.
carga horária: 32 horas, inscrições: 3883 5611
(sete sábados e um domingo)

Museu de arte Moderna do Rio de Janeiro
Av Infante Dom Henrique 85 | Parque do Flamengo | 20021-140 | Rio de Janeiro RJ
Funcionamento: ter – sex 12h – 18h
sáb, dom e feriados 11h – 18h
T +55 21 3883 5600 | Fax +55 21 3883 5612



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