“Secretaria de Insegurança” | Exposições e atividades gratuitas de 20 artistas

(São Paulo, SP)

O SAO Espaço de Arte, o Projeto Fidalga, o Espaço Vitrine, o Aquário e recantos na Vila Madalena recebem, até 18 de setembro, “Secretaria de Insegurança”, projeto com os artistas Alessandra Duarte (BR), Avenir Institute (BE/UK), Bernd Oppl (AU), Bogomir Doringer (NL), Bruno Baptistelli (BR), Bruno Moreschi (BR), Carla Chaim (BR), Clarice Cunha (BR), Deolinda Aguiar (BR), Fabio Tremonte (BR), Foundland Collective (NL), Gian Spina (BR), Giuditta Vendrame (IT/NL), Ivan Padovani (BR), Jaime Lauriano (BR), Lais Myrrha (BR), Mano Penalva (BR), Sonia Guggisberg (BR) e Thiago Navas (BR) e Walter Costa (BR). A curadoria é de Caroline Carrion e Denis Maksimov.

Iniciativa coletiva independente organizada pelo duo curatorial danetvozmozhno,composto pelos curadores Caroline Carrion e Denis Maksimov, explora a precariedade econômica, social, cultural e política contemporâneas. Exposições e atividades gratuitas de 20 artistas e coletivos brasileiros e internacionais acontecem de 4 a 18 de setembro no SAO Espaço de Arte, Projeto Fidalga, Espaço Vitrine, Aquário e recantos na Vila Madalena. Abertura no dia 4/9, domingo, das 17 às 22h no SAO Espaço de Arte. Entrada gratuita

De 5 a 18 de setembro, ateliês de artistas, ruas e espaços independentes de arte da Zona Oeste da cidade de São Paulo se engajam na realização da “Secretaria de Insegurança Pública [de São Paulo]”. Idealizada pela curadora brasileira Caroline Carrion e pelo russo Denis Maksimov, que foram o coletivo curatorial danetvozmozhno, a Secretaria compreende uma combinação de mecanismos artísticos multidisciplinares criados por 20 artistas para mitigar a precariedade econômica, social, cultural e política contemporâneas, consistindo de departamentos alojados no SAO Espaço de Arte, Projeto Fidalga, Espaço Vitrine, Aquário, além de outros espaços no bairro da Vila Madalena.

Os curadores Caroline e Denis partiram de reflexões apresentadas por Ulrich Beck no livro “Sociedade de Risco”, em que o autor descreve o quanto a sociedade ocidental se distancia das raízes da autorreflexão e do entendimento de seus mecanismos. A mistificação das tecnologias usadas cotidianamente, possível graças ao alijamento do indivíduo da noção de cidadania e sua conversão em espectador cada dia mais passivo, contribui para um crescente temor de se viver numa sociedade que demanda adaptações cada dia mais rápidas. A complexidade da estrutura política, social, cultural e ambiental, por sua vez, demandam profissionais ainda mais especializados para lidar com suas demandas. Essa incompreensão difusa contribui ainda mais para a concentração de poder decisório, assim como para a perda da noção de totalidade que nos envolve, queiramos ou não. Como observa o filósofo alemão Theodor Adorno, somos todos colaboradores, portanto, culpados dessa pirâmide crescente de riscos que se sustenta no mesmo frágil pedestal.

Resolver essas inseguranças e precariedades não é o objetivo da curadoria, mas sim despertar reflexões e pensamento crítico em torno das condições de vida num ambiente marcado pela falência da previsibilidade. “As inseguranças contemporâneas abordadas pela Secretaria se relacionam com diferentes contextos urbanos locais e internacionais hoje interconectados, interdependentes e referenciais uns para os outros. A universalidade dessa problemática fica evidente na multiplicidade de mídias e também na diversidade de origens e práticas artísticas dos 20 artistas brasileiros e estrangeiros convidados para essa iniciativa”, declaram.

O SAO Espaço de Arte é um bom ponto de partida para fazer uso da “Secretaria de Insegurança Pública [de São Paulo]”. Ali, na garagem, está a instalação inédita da brasileira Deolinda Aguiar: uma barricada de papéis de descarte oriundos de empresas e repartições públicas, traduzindo espacialmente tanto a inutilidade quanto as barreiras burocráticas que cerceiam as sociedades. Na entrada fica a instalação “Insecurities Welcoming Bureau” [“Secretaria de Boas-vindas das Inseguranças”] do Avenir Institute, que propõe questionários aos visitantes, com o intuito de enquadrá-los em perfis de insegurança, mimetizando assim a estrutura burocrática incapaz de aceitar os sujeitos em sua multiplicidade e indefinição, necessitando enquadrá-los em categorias definidas. A obra resulta em uma espécie de performance colaborativa, pois, a partir dessa triagem, os visitantes recebem um percurso expositivo específico de acordo com seu perfil, levando-o aos demais espaços da mostra.

O SAO recebe um painel da série “Reconstituição”, da brasileira Lais Myrrha, em que a artista amplia todas as páginas da Constituição Brasileira onde aparece a palavra “exceção”, apagando o restante do texto e deixando apenas essa palavra em destaque. Ainda de Lais, que participa este ano da Bienal de São Paulo, os visitantes da Secretaria podem assistir o vídeo “Bestiário”, em que ela se apropria de imagens e códigos do noticiário televisivo para criar obras provocativas. Na corredor está o vídeo do austríaco Bernd Oppl.

Ainda no SAO, encontram-se vídeos, pinturas, desenhos e fotografias inéditas dos artistas Bruno Baptistelli, Ivan Padovani, Carla Chaim, Mano Penalva, Walter Costa e Gian Spina. O artista sérvio Bogomir Doringer participa com obra imaterial, apresentada sob a forma de conversas públicas – consulte horários no Facebook. Jaime Lauriano, por sua vez, apresenta ali a série “Calimba” (2015), exibindo cinco chapas de compensado com gravações a laser de manchetes de crimes retiradas de jornais eletrônicos brasileiros.

O Projeto Fidalga conta com vídeo de Sonia Guggisberg, instalação de Thiago Navas relacionada aos desaparecidos políticos durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985) e uma instalação inédita da italiana Giuditta Vendrame, reconhecida por pesquisar questões relativas a identidades nacionais e imigração.

No espaço Aquário, o coletivo holandês Foundland Collective exibe uma variação da videoinstalação “Failed Futures and Extended Borders”, obra premiada em 2015 com o renomado Prix de Rome, do The Appel Arts Centre. A peça ecoa uma ação de protesto pacifista síria, realizada com bolas de ping-pong, e agora ganha uma camada adicional de significado no contexto dos conflitos brasileiros em curso.

O espaço Vitrine, em Perdizes, recebe a obra em processo “Seis dias para um arco-íris” de Alessandra Duarte, que acrescenta diariamente uma nova pintura a óleo ao mosaico de cores e retratos em branco-e-preto de vítimas de homofobia. Trata-se de um trabalho que a artista vem realizando desde 1o de janeiro de 2016. Visitantes e público que tenham perdido alguém devido a crimes de homofobia e transfobia estão convidados a contar sua história para a artista e incluí-la no projeto, sobre o qual se pode saber mais aqui.

Quatro bandeiras negras com dizeres em branco, remetendo à estética das bandeiras de piratas e conglomerados sem identidade nacional, podem ser vistas do lado de fora no SAO e do Aquário. As bandeiras integram a série “Blackflag” de Fabio Tremonte e trazem frases apropriadas de conversas que o artista teve com membros de comunidades indígenas sobre o estado de insegurança dessas populações.

Clarice Cunha instala “Rede de descanso”, uma série intervenções urbanas composta de redes criadas a partir de materiais de construção que ficam em espaços públicos da Vila Madalena.

A publicação da mostra é um livro do artista Bruno Moreschi criado sob a forma de dossiê burocrático a partir dos diversos indícios materiais da criação e realização da mostra como recibos, orçamentos, negociações, passagens, trocas de e-mail etc. A obra conta, ainda, com textos inéditos dos curadores Caroline Carrion e Denis Maksimov. Tem lançamento no dia 13 de setembro, terça-feita, das 19 às 22 horas, no SAO Espaço de Arte.

A “Secretaria de Insegurança Pública [de São Paulo]” é a primeira realização de um projeto que pretende se desdobrar no tempo e no espaço. Negociações estão em curso para que a Secretaria seja apresentada na Rússia, na Áustria e nos Estados Unidos. A cada edição, novos artistas e novas obras integram a mostra, sempre motivada pelas questões mais relevantes para as populações na atualidade.

“Secretaria de Insegurança”, exposição coletiva com os artistas Alessandra Duarte (BR), Avenir Institute (BE/UK), Bernd Oppl (AU), Bogomir Doringer (NL), Bruno Baptistelli (BR), Bruno Moreschi (BR), Carla Chaim (BR), Clarice Cunha (BR), Deolinda Aguiar (BR), Fabio Tremonte (BR), Foundland Collective (NL), Gian Spina (BR), Giuditta Vendrame (IT/NL), Ivan Padovani (BR), Jaime Lauriano (BR), Lais Myrrha (BR), Mano Penalva (BR), Sonia Guggisberg (BR) e Thiago Navas (BR) e Walter Costa (BR).
Curadoria de Caroline Carrion e Denis Maksimov.
Abertura: 3 de fevereiro, das 19h às 22h
Em cartaz até 14 de março

SAO Espaço de Arte

Rua Mourato Coelho 787, Vila Madalena, São Paulo
Horários: das 14 às 19h

Projeto Fidalga

Rua Fidalga 299, Vila Madalena, São Paulo
De 5 a 11 de setembro
Horários: das 14 às 19h
Tel.: (11) 3813 1048

Espaço Vitrine

De 5 a 18 de setembro
Rua Caiubi, 492, Perdizes, São Paulo
Horários: das 14 às 19h

Aquário

De 5 a 18 de setembro
Rua Apinajés 1915, Perdizes, São Paulo
Horários: das 14 às 19h

Para Mais informações
Adelante Comunicação Cultural
decio.di.giorgi@gmail.com
(11) 3589 6212 / 9 8255 3338



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