“Em Polvorosa”, exposição mistura as três grandes coleções do MAM Rio

(Rio de Janeiro, RJ)

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro apresenta, do dia 30 de julho até 06 de novembro, a exposição coletiva “Em Polvorosa”, com os artistas Adriana Varejão, Ivens Machado, José Damasceno e Luiz Zerbini. A mostra tem curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes.

Em Polvorosa: um panorama das coleções MAM Rio não foi concebida a partir de temas ou de questões. O nome é uma homenagem ao artista Tunga: em uma das obras sem título da série Desenhos em polvorosa, vemos corpos entrelaçados, que de tão próximos se misturam e acabam tendo seus limites confundidos. Encontramos no desenho de Tunga o que poderia ser considerada uma imagem-símbolo desta exposição. Seu foco é mostrar aos visitantes da cidade, do Brasil e do mundo a qualidade resultante da mescla das três grandes coleções que constituem o acervo do MAM Rio.

Juntas, as coleções MAM Rio, Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva somam mais de 16 mil obras, entre desenhos, gravuras, fotografias, pinturas, esculturas, vídeos, instalações, objetos, performances, livros de artista e intervenções. Individualmente todas apresentam particularidades que as tornam especiais, mas quando expostas em conjunto manifestam sua maior potência. A partir da combinação destes acervos é possível produzir diversos panoramas da produção artística brasileira e internacional, desde o final do século XIX até os dias de hoje. Mas panoramas, entretanto, resultam fatalmente em simplificações e hiatos posto que os2.500 metros quadradosdisponíveis para essa mostra estão muito longe de poder abrigar todas as obras do museu.

Portanto, sem qualquer pretensão de traçar por meio das coleções do MAM Rio um panorama ilustrativo de questões teórico-verbais – formuladas pela história da arte, por teorias antropológicas, filosóficas, políticas ou quaisquer outras –, a pesquisa desses acervos nos apontou, com base em suas próprias histórias, critérios para a edição dessa mostra.

A história dessas coleções, graças a muitas de suas obras, nos permitiu articular no espaço expositivo a arte brasileira com a de outros países. Mas sua melhor perspectiva foi apontada pelo reconhecimento de que a vasta coleção de imagens fotográficas do exotismo brasileiro (final do século XIX) e do foto-jornalismo (século XX) – muito bem representadas nestas coleções –, foram registradas para reforçar, visualmente, o noticiário impresso e pontuar silenciosamente a própria história do país. Expostas em vitrines, estas fotos nos mostram os diferentes grupos étnicos que formaram o perfil multicultural que caracteriza a sociedade brasileira hoje e o abismo social que ainda nos cinde. Elas são legendas visuais que – a despeito de seu valor artístico – emprestam sentido ao conjunto das obras expostas com base em conexões visuais provisórias de diversos níveis, tanto sintáticos (estruturais, compositivos e cromáticos) quanto semânticos (temáticos, históricos e icônicos).

Assim, o trabalho de curadoria aqui se constituiu como um livre exercício, que esperamos que os visitantes também façam, ao abrir o maior número possível de caminhos e possibilidades de articulação. Caminhos que em alguns momentos se aproximam e em outros se afastam, mas que nunca se excluem. Nesta exposição não há um único percurso já que não está organizada em ordem cronológica – ainda que, em alguns momentos, não se abdique dela totalmente.

Em Polvorosa: um panorama das coleções MAM Rio é, sobretudo, uma celebração do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do encontro dele com o público.

“Em Polvorosa”, coletiva com Adriana Varejão, Ivens Machado, José Damasceno e Luiz Zerbini.
Curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes.
Abertura: 30 de julho
Em cartaz até 06 de novembro

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Av Infante Dom Henrique 85 | Parque do Flamengo | 20021-140 | Rio de Janeiro RJ
Funcionamento: ter – sex 12h – 18h | sáb, dom e feriados 11h – 18h (bilheteria fecha 17h30)
T +55 21 3883 5600 | Fax +55 21 3883 5612



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