Últimos dias | “No Deserto, o oásis somos nós”, individual de Alexandre Mazza

(Rio de Janeiro, RJ)

A galeria Luciana Caravello recebe, até o dia 26 de maio, a individual “No Deserto, o oásis somos nós”, de Alexandre Mazza com curadoria de Bernardo Mosqueira.

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A história da exposição “No Deserto, o oásis somos nós” se iniciou quando, durante um engarrafamento no trânsito do Rio de Janeiro, o artista curitibano Alexandre Mazza teve uma visão que lhe revelou uma figura misteriosa semelhante a um grande pássaro, anjo ou entidade hibrida e feminina, flutuando sobre o chão espelhado de um deserto. Ainda emocionado com a beleza que acabara de ver, ligou para o curador Bernardo Mosqueira, com a certeza de que deveria reproduzir aquela cena, mas ainda sem saber como fazê-lo. Poucos dias depois, o filho mais velho do artista lhe contou que o lugar existia – e era o Salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo, na Bolívia.

A expedição imersiva de 20 dias para filmagens contaria com uma equipe de 7 pessoas e cruzaria ainda o Atacama, pelo norte do Chile e se tornaria a base de experiências para uma pesquisa sobre a relação entre os conceitos de vida, tempo e mistério. “Foi quase a produção de um filme”, afirma Mazza, “cruzamos, no total, mais de 5 mil quilômetros de carro e passamos por altitudes superiores a 5 mil metros. Passamos por cenários com lagos verdes com flamingos, sítios arqueológicos de 4 mil anos, desertos rochosos com 35 graus de temperatura e montanhas verdes com nevasca!”. Na mostra estão 21 trabalhos entre vídeos, objetos, fotografia e uma instalação. Entre eles, há um vídeo de 11 minutos, com trilha original de Jonas Rocha e Ulisses Capeletti, além de figurino de Sol Azulay, que também fez parte da equipe de viagem.

Alexandre Mazza define a vida como o período temporal onde manifestamos interesse pelo mistério e investiga, nos trabalhos dessa exposição, as noções de ciclo, percurso e revelação. “Em Uyuni, somente nessa época do ano, durante o período da Lua Cheia, a água sobe sobre a superfície branca do sal e faz o deserto virar um grande espelho”, diz Bernardo Mosqueira. O curador lembra que Mazza é conhecido por ter desenvolvido muitos trabalhos que se configuram como caixas de espelhos. “Em Uyuni, ficamos entre o espelho d’água salgada do chão e o grande espelho do Sol que é a Lua Cheia.”.

A exposição parte das experiências da viagem para investigar a relação do humano com os sinais oferecidos pelo mundo para nos aproximar dos nossos desejos e nos afastar dos medos durante a vida. Entre os trabalhos, há imagens fortes, como a de um crânio que tem o Cruzeiro do Sul furado no topo na cabeça ou a bússola buscando a orientação enquanto boia em um riacho sobre uma rolha de cortiça. “A bússola, a constelação, a pipa ao vento e os objetos mágicos e sagrados são todos ícones de orientação”, diz Mazza. “Essa entidade, meio pássaro, meio mulher, que parece a materialização do desejo e ao mesmo tempo de seu próprio objeto, se movimenta eternamente por um cenário lindo, mas muito árduo e completamente solitário. No deserto, nós lembramos que somos feitos 70% de pura água. Encontrar outra pessoa no deserto da vida é um milagre e a maior chance de conseguirmos sobreviver. Daí, dessa crença e adoração ao humano, é que vem o título ‘No deserto, o oásis somos nós’.”

“No Deserto, o oásis somos nós”, individual de Alexandre Mazza
Curadoria de Bernardo Mosqueira
Abertura: 26 de abril
Em cartaz até 26 de maio

Luciana Caravello
Rua Barão de Jaguaripe, 387 – Ipanema | Rio de Janeiro, RJ – 22 421-000
Funcionamento: Segunda a sexta de 10h às 19h. Sábado de 11h às 15h.
T: +55 21 2523-4696
contato@lucianacaravello.com.br



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