Luiz Braga apresenta a individual “Sideral”

(São Paulo, SP)

A Galeria Leme apresenta, entre os dias 28 de abril e 11 de junho, a individual “Sideral” de Luiz Braga.

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Luiz Braga (Belém – PA, 1956) em Sideral, sua terceira exposição individual na Galeria Leme, faz um recorte de sua produção em cores, com vinte trabalhos, na maioria inéditos, realizados entre 1982 e 2015. Sideral era uma aparelhagem de som dessas itinerantes que tocam nos bailes populares e nas cidades do interior do Pará, título da principal obra em exposição e que sintetiza as cores e luzes presentes no universo do autor. O cineasta Guilherme Coelho, diretor do longa Órfãos do Eldorado, baseado no livro homônimo de Milton Hatoum e amigo pessoal de Braga, foi convidado a escrever um texto de apresentação onde narra seu primeiro contato com a obra do fotógrafo e o fascínio instantâneo causado por aquele mundo de luzes e cores deslumbrantes. Como recorda Guilherme:

Leia o texto do cineasta Guilherme Coelho sobre a mostra:
“SIDERAL em nós.
Deve ter sido em Belém, à beira do Guamá, numa exposição do Arte Pará, onde eu vi pela primeira vez uma foto do Luiz. Olha que sorte: em Belém, no segundo andar da Casa das Onze Janelas, de frente pro rio que é mar. Mas não é o Guamá, é a baía do Guajará. Ali embaixo tinha o Boteco das Onze Janelas, um dos maiores prazeres que vivi. Uma noite fresca, um peixinho, um amor por uma cidade.

Uma cidade a qual voltei, anos depois e pelas mãos do escritor que me deu um filme. Aí conheci o Luiz em carne e osso. Um fim de tarde, lusco-fusco amazônico, havia chovido. Uma luz teimosa. Crepúsculo. Um luz que eu tanto quis roubar pro nosso ‘Órfãos do Eldorado’. Conheci o Luiz em seu atelier, e vimos fotos no computador. E discutimos essa luz do Norte. E o Norte nunca mais saiu de mim.

O Luiz é um imaginário que sempre existiu dentro de nós, e que não sabíamos que estava lá. Tal qual os grandes relatos que nos fundam, os grandes narradores que nos inventam – Nelson Rodrigues e seus canalhas e ingênuos; Clarice e nossas cucas, ensimesmadas e ruminantes – Luiz nos mostra o nosso olhar. E olhamos com encanto, com grandeza, leviana e profundamente.

Em face as suas fotos, eu me vejo exuberante e melancólico. Cheio de vazios. Eu sinto o calor e me sinto sozinho. E tantas vezes me vejo dentro de seu enquadramento, do seu espaço sideral.

Sideral são suas paisagens. Lunares. Em infravermelho. Uma estética que me ajudou a sonhar o verde da Amazônia. O desafio do verde. O desafio do ver.

Uma rede vazia aqui nessa exposição. Mas uma outra rede, esta de 1990, talvez no Guamá (agora, o bairro). Uma rede com uma menina que nos olha. Uma menina virando moça. Uma foto que hoje, segundo ele, seria ‘impossível’: proibida, imprópria. No nosso filme, essa foto, essa menina, virou a Dira Paes.

E pro mesmo filme nos inspiramos num outro retrato: uma outra moça, destrambelhada sobre uma mesa de bar. Também no bairro do Guamá? Pra mim, pra nós do filme, aquela era “Dinaura, em pose de Arminto”. E assim construímos uma linguagem a partir dos personagens de Milton Hatoum. Gente atravessada pelo olhar de Luiz Braga.

Lembro dessa noitinha quando fomos em seu atelier e Luiz nos mostrou a foto de Iara, a senhora das águas, a deusa dos rios. Acho que num igarapé perto de Bragança. O sideral sacro de uma imagem verde, no coração da mata, no coração de todos nós. Assim é a luz do Luiz.”

“Sideral”, individual de Luiz Braga.
Abertura: 28 de abril
Em cartaz até 11 de junho

Galeria Leme
Av. Valdemar Ferreira, 130
Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 19h e sábados da 10h às 17h
T.: 55 11 30938184
info@galerialeme.com



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