Flávio Cerqueira apresenta nova individual “Se precisar, conto outra vez”

(São Paulo, SP)

A Casa Triângulo apresenta, entre os dias 14 de maio até 11 de junho, a exposição “Se precisar, conto outra vez”, individual de Flávio Cerqueira.

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Leia o texto da curadora Maria Izabel Branco Ribeiro sobre a mostra:

NÃO SOBRE QUALQUER COISA
A escultura em bronze está entre aquelas modalidades que requerem do artista conhecimentos específicos e habilidade pessoal. Traz o peso de referências da história da arte e do trabalho de grandes nomes, que ao longo do tempo, consolidaram seu repertório e estatuto.
Obra de arte é indissociável de monumento, optar por ela é um desafio para o artista dos nossos dias e ao mesmo tempo buscar o desenvolvimento de linguagem pessoal de excelência, atento para aspectos que motivem sua sensibilidade, sem perder a grandeza expressiva do meio utilizado e nem se deixar levar pelos seus estereótipos.

Flávio Cerqueira tem trilhado esse caminho já há alguns anos, com a dedicação do trabalho diário do atelier, com as buscas no tesouro de suas próprias lembranças e com a inquietação de suas reflexões sobre as incongruências da realidade.

A tradição do bronze, seu peso e autoridade, foram em um primeiro momento, o suporte utilizado por Flávio para dar materialidade à narrativa do despertar da consciência e abertura dos olhos para possibilidades da existência, em obras de grande lirismo. Trabalho preciso, incisivo, mas de delicadeza marcante, onde o metal sob a aparente fragilidade da porcelana tornou-se metáfora da ausência intensa, quase presença e do agora que de tão fugidio, se torna quase eterno.

Em obras recentes Flávio Cerqueira estendeu esse desafio a outras manifestações da ausência, ao discutir a história. Não fixa sua discussão nas suas lembranças pessoais, mas em seu assombro com o desvanecimento de memórias e com as manobras dos esquecimentos. Focou sua discussão na História do Brasil e na questão das versões, dos mitos, heróis e das mudanças de papeis. Não enfatiza os desaparecimentos e vazios, mas as transformações. Apresenta personagens e seus silêncios. Fala da necessidade da voz e da ação, dos que se retiraram sem deixar pegadas. Apresenta lendas derrubadas.

As obras expostas na verdade constituem a sequência desse discurso. Não por acaso, nomeia um dos trabalhos Sobre tudo, mas não sobre qualquer coisa. Seu olhar é vasto, mas com foco preciso. Hábil na articulação da palavra, escolhe como títulos para as esculturas referências do discurso coloquial, de maneira a encadear seu pensamento visual e estabelecer conexão imediata com seu espectador: em Eu te disse… adverte sobre o soterramento causado pela avalanche de informações, O glorioso retorno de quem nunca esteve aqui, traz o guerreiro, que não é um, mas todos em um e em Amnésia alude ao branco do esquecimento.

E encerra seu percurso refletindo sobre a inutilidade das vaidades e a certeza de que um dia tudo termina e, com generosidade, afirma que caso seja necessário, haverá um recomeço e… Se precisar, conto outra vez.

“Se precisar, conto outra vez”, individual de Flávio Cerqueira
Abertura: 14 de maio
Em cartaz até 11 de junho

Casa Triângulo
Rua Estados Unidos, 1324
Funcionamento: segunda a sábado, das 10h às 19h
Telefone: +55 11 3167-5621
info@casatriangulo.com



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