Bruno Kurru se apropria de questões e atravessamentos sociais, políticos e culturais em “Isso se dá porque”

(São Paulo, SP)

A Zipper Galeria apresenta, entre os dias 5 de maio e 4 de junho, a individual “isso se dá porque” de Bruno Kurru e curadoria de Galciani Neves. Na exposição Kurru discute as modulações de ajustamento social, experimentando e expandindo as noções de pintura como procedimento.

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O título da quarta individual do artista Bruno Kurru remete a um duplo movimento, tal como uma seta que aponta para direções opostas: um sentido de referencialidade, daquilo que vem antes, mas que permanece cego; e um sentido de continuação e consequência que se pulveriza de maneira nem assertiva, nem definitiva.

Com curadoria de Galciani Neves, a mostra apresenta um percurso poético do artista que se desenrola e expande a lógica, a estética e o entendimento de pintura como linguagem específica. Kurru coleta e se apropria de questões e atravessamentos sociais, políticos e culturais e os fragmenta e os reconfigura em narrativas. A colagem, a montagem e o pensamento por associação são alguns de seus principais recursos para tal empreitada. A lógica construtiva desses trabalhos se dá na tentativa de abordar os problemas comuns e tão urgentes sem lhes propor um solução, mas antes articulá-los em outros contextos: no campo da arte, para quem sabe possamos enxergá-los e discuti-los a partir de uma outra perspectiva.

Assim, acúmulos de imagens, de objetos do cotidiano, citações, camadas informes, situações casuais, manchas de cor, garatujas e imagens disponíveis na cidade são sobrepostos, intencionando pensamentos ritmados, percepções descompassadas e instigando um passeio um tanto incerto, um tanto fragmentado do público pelas “pinturas-instalações-objetos”. Estão juntos numa convivência nada consensual: Galuber Rocha, Tarkoviski, uma faixa de pedestre, citações, imagens desconcertantes provenientes da internet, registros afetivos, representações de paisagens. Nesse sentido, o espaço é também um componente para estes trabalhos: ao mesmo tempo que os trabalhos articulam fisicamente a arquitetura da galeria, o espaço é superfície de aderência dos trabalhos. Os trabalhos se deixam desenhar pelo espaço, enquanto desenham o espaço.

Em termos da visualidade construída pelo artista, está em questão uma espécie de jogo entre um “dentro e fora da pintura”, como afirma. Ou seja, entre o que de pronto poderia se reconhecer como esquema compositivo da pintura, e o que se expande para o espaço, para os objetos, para esquemas pictóricos disponíveis nas paredes, no chão, em vídeos e textos. O artista acredita que dessa maneira “não sobrecarrega o objeto”, mas antes lhe confere uma forma complexa que transborda para fora outros tantos esquemas visuais.

Veja algumas obras do artista:

“isso se dá porque”, individual de Bruno Kurru
Curadoria de Galciani Neves.
Abertura: 5 de maio, das 19h às 22h.
Em cartaz até 04 de junho

Zipper Galeria
R. Estados Unidos 1494, Jardim América
Segunda a sexta, 10h/19h; sábado, 11h/17h
T: +55 (11) 4306-4306
zipper@zippergaleria.com.br



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