Berna Reale denuncia agressão sofrida no Centro de Criminalística de Belém

A artista paraense Berna Reale, que representou o Brasil na última Bienal de Veneza e que trabalha também como perita criminal em Belém do Pará, denunciou esta semana agressões sofridas dentro do Centro de Criminalística de Belém. O agressor seria Sílvio André Lima da Conceição, diretor do Instituto de Criminalística.

Denúncia nas redes sociais

Inicialmente a denúncia foi feita pela artista no Facebook. Na quinta-feira, 18 de fevereiro, Berna publicou: “VIOLÊNCIA! (…) Há tempos questiono e denuncio injustiças e irregularidades no local onde eu trabalho. Ontem porém a situação ultrapassou qualquer limite. Fui perguntar a um superior sobre um fato mas tudo terminou com o descontrole dele, com gritos, insultos, dedos na minha cara, fui pressionada contra a parede e ele dizia que ‘ia me mostrar como respeitá-lo’“.

A artista, que registrou um boletim de ocorrência na delegacia policial, acrescenta: “Peço que me ajudem a denunciar a violência que passei ontem dentro de um Centro de Percia Criminal onde trabalho e onde não deveria jamais ser Cena de Crime!“.

Repercussão na imprensa

A jornalista Audrey Furlaneto entrevistou Reale e Sílvio André Lima da Conceição para matéria publicada, no próprio dia 18, no site do Jornal O Globo.

Nela, Furtaneto lembra que Berna Reale é conhecida por trabalhos que lidam com temas como injustiça e violência. Reale conta que denunciou recentemente o fato de muitos peritos do órgão serem servidores em outros Estados e, portanto, aparecerem raramente nas dependências do CPC. E relata o começo da discussão que levou à agressão: “Juntei provas disso, fiz um dossiê e levei à Corregedoria. Nada aconteceu. Ontem, questionei o diretor: ‘Por que o senhor não faz nada a respeito?’, e ele reagiu de forma agressiva.”

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O caso foi ainda tema de matéria assinada por Silas Matrí para a Folha de S. Paulo.

Na publicação Martí escreve: “Uma das artistas mais relevantes do cenário nacional, Berna Reale diz ter sido agredida nesta quinta (18) pelo diretor do Instituto de Criminalística de Belém. Ela, que também é perita criminal e trabalha no órgão da capital paraense há seis anos, conta que foi ameaçada e prensada contra a parede por seu superior depois de uma discussão”.

Reale fala sobre o medo e o preconceito: “Ele dizia que ia me mostrar como eu tinha que respeitar ele. Todo mundo da minha família está com medo. Há um preconceito enorme na polícia porque eu sou artista”.

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Performances de cunho político e a violência como tema

Trabalhando como perita criminal do Centro de Perícias Científicas do Estado do Pará, Berna vive de perto as mais diversas questões de delito e conflitos sociais. Em sua obra, a artista reflete sobre o mundo e a vulnerabilidade humana, tendo na violência seu grande foco de atenção.

Realizadora de performances de incontestável tom politico pensadas com o objetivo de criar um ruído provocador de reflexão, Reale se utiliza de objetos e artifícios nada convencionais, e até mesmo perturbadores, para produzir seus trabalhos.

Em performance intitulada “Ordinário”, por exemplo, carrega 344 ossos de 40 esqueletos de vítimas de homicídio, numa espécie de carrinho de mão, pelas ruas da cidade, fazendo uma denuncia sobre ações de extermínio e chamando a atenção para o alto índice de criminalidade na capital paraense.

Em “Quando todos calam”, performance realizada na área externa do Mercado do Ver o Peso, Berna permaneceu por várias horas deitada sobre uma mesa, nua e coberta por tripas humanas, que serviram de banquete aos urubus que habitam a região portuária de Belém. Enquanto permanecia deitada as aves se aproximavam e devoravam a carne que cobria parte do seu corpo nu.

Berna Reale e o Prêmio PIPA

Berna Reale foi indicada pela primeira vez ao Prêmio PIPA em 2012, e logo na estréia foi vencedora da categoria on-line. Em 2013 foi novamente indicada e tornou-se finalista, participando da exposição do Prêmio no MAM-Rio. Em 2014 aconteceu sua terceira indicação.

Por três vezes concedeu entrevistas exclusivas para o PIPA, que podem ser assistidas em sua página aqui no site. No vídeo de 2013, em especial, Reale fala da violência: “Aquilo que mais te incomoda, que mais te faz pensar sobre o mundo, é que é o motor pra você fazer arte. No meu caso o que mais me incomoda é a violência. Não só pelo trabalho que eu faço como perita, mas como cidadã mesmo, me incomoda muito a questão do ser humano não se ver no outro. E o que me assusta é a violência se tornar intima. A violência não pode nos ser íntima.”
Assista à entrevista completa:
 

 
A equipe do Prêmio PIPA declara seu total apoio à artista Berna Reale.

Saiba mais sobre Berna Reale, assistir a outras entrevistas exclusivas e ver imagens de seus trabalhos, acesse sua página aqui no site.



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