Gabriel Mascaro une cinema e artes visuais em sua pesquisa sobre corpo e poder

Gabriel Mascaro, indicado ao PIPA pela primeira vez este ano, pesquisa corpo e poder. Entre o cinema e as artes visuais, seu trabalho já circulou na 31ª Bienal de São Paulo (Pavilhão da Bienal, São Paulo, SP), na Mostra Coletiva “Tropical Uncanny” (Museu Guggenheim, Nova York, EUA), no Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (Espanha), MOMA Documentary Fortnight (MOMA, Nova York, EUA), na Mostra Coletiva “First Look” (Museum of The Moving Image, Nova York, EUA), na AB4 – Bienal de Atenas (Grécia), 32º Panorama da Arte Brasileira (MAM-SP, São Paulo, SP).

Mascaro foi premiado duas vezes no Festival Internacional de Arte Contemporânea SESC/Videobrasil, e esteve em importantes festivais de cinema como Locarno, San Sebastian, IDFA, BFI Londres, IFFR – Roterdã, CPH:DOX, Oberhausen, Clermont Ferrand, BAFICI, Miami e Indielisboa. Teve destaque nas revistas Screen International (RU), Sight&Sounds (RU), FRIEZE IndieWire (EUA), Variety (EUA) e Cahiers du Cinema (França).

Mascaro esteve no Programa de Residência Artística Videobrasil /Videoformes (França) e foi premiado com mais uma residência no Wexner Center for Arts (EUA). Seus trabalhos audiovisuais já foram exibidos em mais de 100 festivais internacionais.

“Não é sobre sapatos”, instalação de 2014 apresentada na 31ª Bienal de São Paulo*

Para realizar Não é sobre sapatos, Gabriel Mascaro pesquisou imagens feitas durante as manifestações de 2013 em diversas cidades do Brasil. Assim como em outros países, como uma alternativa à imprensa oficial, os manifestantes criaram uma maneira própria de comunicar suas ações em território público, articulando ações via redes sociais e registrando a presença do corpo coletivo nas ruas com suas próprias câmeras. Essa documentação, que circulou amplamente pela internet, além de inaugurar uma certa ruptura na produção e compartilhamento de discurso, também denunciou a violência policial exercitada contra manifestantes.

Mas em vez de usar seus próprios registros ou aqueles realizados por manifestantes, o artista se interessou pelas imagens sob a ótica da polícia, invertendo o narrador do protesto e ao mesmo tempo questionando: “Como pensar o postulado estético, político e autoral das imagens produzidas pelo estado a partir de seus agentes que estariam filmando com o princípio de policiar e fiscalizar a ordem pública e de enquadrar rostos para a criminalização?”. O jogo estabelecido entre duas instâncias – a do Estado e o do cidadão – que se confrontam munidas do mesmo instrumento ou arma – a câmera – revela uma outra forma de apoderamento e dominação, situada no campo da visibilidade e no exercício da representação do outro.

Entre as gravações apresentadas por Mascaro, estão muitas imagens de sapatos – novos elementos para provas criminais, já que muitos manifestantes trocam de roupas durante os protestos, mas não de sapatos. A edição do material constitui uma ferramenta para pensar as potências e as fragilidades do anonimato (ou dos anonymous) nas formas políticas atuais, levando o artista a mais uma questão: “Em tempos de faces anônimas, o que fazer com os pés?”.

* texto publicado originalmente no site da Bienal de São Paulo.

Saiba mais sobre a obra e a carreira do artista, veja imagens, textos e um vídeo de sua autoria, acesse a página de Gabriel Mascaro.



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