Vancouver Biennale, coletiva com participações de de Filé de Peixe, Gisela Motta & Leandro Lima, João Loureiro, Marcelo Moscheta, Mariana Manhães e Raul Mourão

(Vancouver, Canadá)

Como parte da Vancouver Biennale de 2014-2016, o Pipefitters Building, na beira-mar de North Vancouver, foi reimaginado como oficina cultural, focando a arte contemporânea brasileira. Transformando o espaço histórico em um eixo comunitário, o Pavilhão Internacional exibe instalações dos mais importantes artistas emergentes brasileiros. O Pavilhão serve como plataforma para apresentar a cena de arte contemporânea brasileira, com toda a riqueza, universalidade e inovação de seu processo criativo.

De acordo com o curador deste segmento Marcelo Dantas, “O Brasil é um país estigmatizado pela imagem espectacular do futebol, carnaval, crime e mulheres semi-nuas nas praias. O país é muito mais complexo que essa visão distorcida. Com o Pavilhão, tentamos compensar essa aberração visual de como nossa cultura é vista, e mostrar a arte brasileira com toda sua riqueza.”

Saiba mais sobre algumas das obras expostas:
João Loureiro – Vancouver Novel

Inspirado pelo tema “Open Borders/Crossroads Vancouver”, a obra “Vancouver Novel” explora os limites inconstantes entre público e privado em uma época marcada por mídias socials e reality shows. A instalação consiste de 23 frases cíclicas que tecem uma narrativa pungente sobre o cotidiano. Esses recortes de domesticidade, às vezes banais ou ameaçadores, sublinham nosso crescente apetite por informações atualizadas. Intensamente pessoal ainda que transmitido para o mundo ver, “Vancouver Novel” convida a considerar o abismo estreito entre a vida privada e a pública.

Filé de Peixe – CM² Arte Contemporânea

Filé de Peixe expõe e comercializa de modo certificado um centímetro quadrado de obras de renomados artistas brasileiros e canadenses, proporcionando a qualquer um a oportunidade de começar uma coleção de arte em troca de pequenas quantias de dinheiro. O projeto “Cm² Arte Contemporânea” objetiva tornar arte acessível, onde cada centímetro quadrado, interpretado como a obra em si, assegura e representa visualmente uma unidade do valor cheio. projeto forja uma tabela mercadológica que atribui aos artistas sua menor fração de mercado, explicitando um painel de múltiplos valores atribuídos a produção contemporânea.

O coletivo Filé de Peixe desenvolveu uma fórmula básica capaz de calcular o valor de 1 cm² da obra dos artistas, levando em consideração o valor mais alto, o mais barato e o valor de mercado mais praticado por cada um. Cruzando essas informações com os tamanhos das obras, chega-se ao preço médio do cm² do artista, que assina um contrato de representação comercial e certificados de autenticidade, em acordo com o valor definido.

Gisela Motta & Leandro Lima – Chora Chuva

“Chora Chuva” é um projeto baseado na definição figurative de “Be at a crossroads” [“estar em uma encruzilhada”]: um ponto em uma história em que o conflito atinge seu potnto máximo de tensão e deve ser resolvido. Uma situação crítica ou momento em que uma decisão deve ser tomada. Um ponto crucial.

“Chora Chuva” parte do interesse de Gisela Motta e Leandro Lima pelo clima de Vancouver e seu impacto no estilo de vida local. Baldes cheios até a metade com água vibram, recriando o visual do pingar, enquanto auto-falantes escondidos emitem o som familiar e suave do cair da chuva.
Ao recriar esse chuveiro indoor, os artists convidam os moradores de Vancouver a experimentar o cair da chuva de uma perspectiva diferente. Nessa instalação, Gisela e Lenadro recriam uma situação onde a chuva invade um ambiente fechado; o externo invade um domínio interno.

A dupla de artistas, cuja concepção de chuva é marcada pelas florestas tropicais do Brasil, caracteriza chuva como “um fenômieno com potencial poético que sempre tivemos interesse em abordar” Em “Chora Chuva”, a chuva é caracterizada como condição de tranformação e transição.

Marcelo Moscheta – Arbor-Vitae

O cedro vermelho é a árvore oficial da Colúmbia Britânica. Ela é as vezes chamada de arbor vitae, do latim “árvore da vida”. Em “Arbor-Vitae”, Moscheta usa esse símbolo regional para explorar a interseção entre memória, história e paisagem. Durante sua estadia em Vancouver, Moscheta realizou extensas pesquisas no museu de antropologia, onde o artista investigou a conexão entre o cedro vermelho e suas camadas geográficas, históricas e culturais ocultas. Inspirado pela paisagem do Stanley Park, Moscheta criou um detalhado desenho a grafite de um toco de árvore em três folhas de PVC preto. Os pedaços de troncos, desgastados pelo sol e colocados à baso do desenho foram encontrados pelo artista nas praias da cidade. Moscheta registrou as coordenadas de GPS de cada trongo, expressando um comentário pugente sobre história natural e recursos comerciais.

Raul Mourão – Swing HD and Swing HN

As esculturas cinéticas de Mourão combinam formas geométricas simples com a complexa poesia do movimento. À primeira vista, os grandes cubos de metal parece existir meramente como esculturas minimalistas. No entanto, Mourão convida o visitante a atravessar os limites tradicionais que separam a obra do público e fisicamente pôr a obra em movimento. Como uma máquina em constante movimento, suas esculturas em grande escala potencializam a tensão da energia. A simples série de tubos de alumínio proporcionam um estudo provocante sobre contradições – são feitas de metal inflexível, porém sempre em fluxo.

Mariana Manhães – Mas (vasos de vidro branco)

Em “Breathing Lungs”, Mariana emprega elementos elétricos e dispositivos animatrônicos para criar uma escultura mecânica/robótica especificamente para o espaço expositivo e posicionada de modo a parecer emergir do prédio. A instalação e o visitante embarcam uma viagem simbiótica, enquanto os estímulos audiovisuais convidam transeuntes a explorar.

Conforme os visitantes passam, sacolas plásticas se enchem de ar e se esvaziam como pulmões, aparentemente de modo aleatório. Dois projetores emitam imagens em loop de figuras assombreadas e, ao fundo, um discurso inteligível pode ser ouvido. O interesse de Mariana por comunicação é fundamental na obra. Apesar de parecer familiar, o discurso é na verdade em uma linguagem imaginária, criada pela artista a fim de parecer com algo perdido na tradução. Diferente dos componentes físicos do trabalho, a origem do som é nebulosa, impossível de encontrar. É essa luta por comunicar-se, forçando as fronteiras entre arte e linguagem que aproxima o trabalho da vida.

Vancouver Biennale
“Focus on Brazil”, com obras de Filé de Peixe, Gisela Motta & Leandro Lima, João Loureiro, Marcelo Moscheta, Mariana Manhães e Raul Mourão
Visitação: Domingo a quinta, das 11h às 18h; sextas e sábados, de 13h às 21h
International Pavillion – Pipefitters Building
19 Wallace Mews – North Vancouver



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