Alexandre Mazza e Antonia Dias Leite participam de “Virei Viral – Identidades e coletividades”

(Rio de Janeiro, RJ)

A segunda edição do “Virei Viral”, cujo tema é “Identidades e coletividades”, propõe um olhar antropológico sobre a chamada “cibercultura” e seus reflexos na cultura contemporânea. O projeto se dedica a explorar questões da cultura contemporânea através de sua manifestação em expressões artísticas. Estão em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil obras de 18 artistas, dentre eles Alexandre Mazza e Antonia Dias Leite.

Sobre o projeto (trechos extraídos do site do “Virei Viral”):
Existência é o estado do que existe. Existir é ser. Ser é ter existência e uma identidade. Identidade é o conjunto de características que distinguem uma pessoa ou uma coisa e por meio das quais é possível individualizá-la. Eu é a individualidade da pessoa humana. A existência é por si só uma dialética. Uma sequência de auto-referenciação. Um metaconceito.

“Quem sou”, “quem somos” e “o que me torna diferente no rebanho”. Questões que extrapolam tempo, cultura, espaço. O fato de que a única possibilidade de certificar-se da existência é concebendo a “não existência”, torna drasticamente suspeito o entendimento do que é “ser”. Mas é fato que somos. Ou pelo menos é nisso que temos que crer. Para ser. E sobre isso, diria Sartre, “O homem está condenado a ser livre”. O peso da liberdade está em ser responsável pelo seu SER. E é sendo que o homem vai moldando sua identidade. O peso dessa escolha não é um fardo só pra si. Afeta a todo o conjunto. Cada eu tem uma identidade: formada por um fluxo constante e pulsante de pequenos eventos, que moldam personalidade, subjetividade, características visíveis e ocultas que, embora pareçam ter sido feitas sob medida, são resultado de escolhas que afetam não só a si próprio, como o todo. Eis o peso da liberdade.

E o que acontece quando esses pequenos eventos se multiplicam e se tornam hipertextualizados? A identidade passa a ser formada ou deformada pela superabundância de episódios e acontecimentos concomitantes e, paradoxalmente, multidimensionais e assíncronos? Essa reflexão, ainda que flerte com o inverossímil, está posta na dialética do presente. E é objeto de investigação desta segunda edição de Virei Viral, projeto que se dedica a explorar questões da cultura contemporânea através de sua manifestação em expressões artísticas.

A segunda edição do “Virei Viral” não se propõe – de forma alguma – a ser conclusiva. Pelo contrário. Se nosso tempo caminha para solidão das identidades fragmentadas ou para a euforia da multiplicidade de possibilidades, se o caminho é um excesso de egocentrismo ou, ao contrário, a proliferação das facetas e possibilidades, a reflexão é remetida para o espectador: vivente, seduzido e abduzido por essa realidade-simulacro abundantemente vigente.

Sobre “Todas em Uma”, obra de Alexandre Mazza:
Todas em uma nasce da observação do artista de várias pessoas atravessando o sinal durante as manifestações que ocorreram no Rio em 2013. São muitas as questões metafísicas e de alteridade em Mazza, mas o que nos encanta é a conversa que as figuras parecem querer representar, é justamente entre o ir e vir das identificações que todos somos um e em um somos todos. Ainda que de modo fluido e instável, vemos a insistência dos padrões arquetípicos que parecem sustentar a coletividade. Se para Norbert Elias não existe sociedade sem o indivíduo, a obra de Mazza nos mostra que tampouco o indivíduo existe sozinho, sem sociedade.

Sobre “Miroir Miroir”, obra de Antonia Dias Leite:
Na obra “Miroir Miroir”, ao brincar com sua própria beleza e transfigurá-la, Antonia mergulha fundo na definição de vaidade e cria um diálogo psicológico intenso entre as facetas do ego. A obra faz coexistir o triste, o belo, o ridículo e o espetáculo, sem deixar de criticar a obsessão pela perfeição estética. A música mostra ainda toda a complexidade paradoxal das representações femininas de identidade e revela uma coletividade que é, por um lado, equilibrada e coerente, mas, por outro, sofrida como um palhaço de circo, que “bebe gargalhadas e come gritos de ‘bravo’, mas é mais triste que um chapéu”.

“Virei Viral”, com Alexandre Mazza e Antonia Dias Leite
Em cartaz até 22 de dezembro
Visitação: de quarta a segunda, das 9h às 21h

Centro Cultural Banco do Brasil – Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66
T.: 55 21 38082020
ccbbrio@bb.com.br



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