Artistas indicados ao PIPA 2014 | Novas entrevistas e páginas

Entrevistas com artistas indicados

Alexandre Brandão e André Griffo foram indicados ao PIPA pela primeira vez este ano.
Os artistas concederam entrevistas exclusivas para o Prêmio, que foram publicadas esta semana aqui no site.

Em sua entrevista, Alexandre Brandão responde a uma pergunta de um membro do Comitê de Indicação 2014.
Alejandra Muñoz pergunta: “Como você escolhe as temáticas predominantes no seu trabalho?”.

Brandão conta da sua relação peculiar como desenho “sempre foi tomado por mim como um meio transitivo, (…) entre o mental e o material, um meio estruturante do pensamento.”
Relata que os temas dos trabalhos surgem muito do fazer e fala de um projeto de instalação em que usou uma árvore com sacos de plásticos presos nela, que “capturavam o vendo”.

Assista à entrevista com Alexandre Brandão:

André Griffo responde a uma pergunta de outro um membro do Comitê de Indicação 2014.
Beatriz Milhazes, quer saber: “Como você desenvolve o seu processo de trabalho? Você tem um diálogo ou é uma discussão?”.

Além de responder à pergunta, Griffo mostra objetos que tem em seu ateliê e explica que alguns deles adquiriu mesmo sem saber como poderia usa-los em seu trabalho.
O artista explica ainda que começou sua carreira pela escultura, e que depois migrou para desenho e pintura.

Assista à entrevista com André Griffo:

Novas páginas

Também esta semana, criamos as últimas duas páginas de artistas indicados ao PIPA 2014. Agora todos os indicados já tem suas páginas aqui no site, com imagens de obras, informações sobre carreira, textos e vídeos.

– Em sua página recém-criada, Runo Lagomarsino (Malmö, Suécia, 1977) apresenta 20 imagens de suas instalações.
A página inclui também um texto, no qual o artista conta que participou de inúmeras mostras coletivas em Portugal, Suécia, Espanha, Alemanha, Noruega e Brasil.

Dentre suas mostras individuais recentes, destacam-se: “Against my Ruins”, Nils Stærk, Copenhague, Dinamarca (2014), “For Each Light a Shadow”, Ignacio Liprandi Arte Contemporáneo, Buenos Aires, Argentina e “The G in Modernity Stands for Ghosts Mellanrummet”, Nils Staerk, Copenhague, Dinamarca (2013), “Even Heroes Grow Old”, Index, The Swedish Contemporary Art Foundation, Estocolmo, Suécia e “U-Turn”, Arteba with Nils Stærk, Buenos Aires, Argentina (2012).

Acesse a página de Runo Lagomarsino e saiba mais.

Yana Tamayo (Brasília, DF, 1978) é doutoranda na linha de pesquisa Poéticas Contemporâneas da UnB – Universidade de Brasília, DF. É Mestre pela mesma universidade e linha de pesquisa (2009) e especialista pela Universidad Complutense de Madrid, Espanha (2006) com o Master Teoría y Práctica en Artes Plásticas Contemporáneas. Graduou-se em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da UFMG, Belo Horizonte, MG (2003).

Trabalha principalmente com fotografia, vídeo e desenho e vem expondo com regularidade desde 2003. Desde 2012 integra o grupo Entrebloco. Desde 2013 trabalha com curadoria de projetos específicos.
Em sua página encontram-se 16 imagens de trabalhos da artista, um vídeo do coletivo Entrebloco, do qual Yana é membro, além de textos com informações sobre sua carreira.

Acesse a página de Yana Tamayo e saiba mais.

Sobre os vídeos com artistas indicados:

Desde a primeira edição do PIPA, em 2010, contratamos a Matrioska Filmes para produzir vídeo-entrevistas com os artistas indicados ao Prêmio. Chegando a sua 5ª edição em 2014, o Prêmio segue acreditando na importância dos vídeos que anualmente são produzidos pela produtora, com exclusividade para o PIPA.

Como aponta Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-Rio e conselheiro do Prêmio, no texto Desejo de arquivos: “Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito.”

Leia o texto na íntegra:
(Originalmente publicado em 7 de junho de 2013.)

Desejo de arquivos

Você vê o documentário que Scorsese fez sobre Dylan e fica pasmo ao ver como os americanos documentaram cada entrevista dada pelo então promissor cantor folk. Podemos parar aqui e dizer que Dylan e os Estados Unidos se merecem mutuamente. Nada na História do Brasil fez com que pudéssemos ter uma atitude de altas expectativas a nosso próprio respeito que nos levasse a registrar o que surge. – Caetano Veloso

Lendo esta passagem escrita em sua coluna do Jornal O Globo em 7 de Outubro passado não tive como não concordar integralmente com o Caetano. De fato, há por aqui uma negligência superlativa em relação à memória, ao arquivo, ao registro dos acontecimentos. Nossa paixão pelo efêmero, nossa contínua promessa de futuro, acaba por desconsiderar o registro dos fatos e a necessidade de dar-lhes alguma posteridade.

Um exemplo recente abrindo o caminho da discussão. A curadora portuguesa Marta Mestre, curadora assistente do MAM-Rio, quis fazer uma exposição com a história do Espaço Sergio Porto no Rio. Entre o final dos anos 1980 e meados da década seguinte, aquela pequena galeria no Humaitá lançou toda uma geração de artistas que hoje está já legitimada internacionalmente. Não obstante a relevância daquele espaço da Prefeitura, não havia qualquer arquivo ou registro dos fatos disponível. A solução foi recorrer ao que restava nas mãos dos artistas para levar à frente o projeto. O descaso pelo acesso público à memória é uma patologia perigosa que fortalece privilégios e reforça assimetrias.

Por outro lado, com o desenvolvimento recente de novas tecnologias e a facilidade de se fotografar ou filmar tudo e qualquer acontecimento com um pequeno celular, há uma verdadeira fome de reprodução. Antes da experiência, do vínculo existencial, do afeto, já vem o registro. Inverteu-se a equação, mas se não houver como selecionar e guardar o registro, o problema segue o mesmo.
Há que se combinar matéria e memória e construir arquivos que tragam uma aposta no registro diferenciado do presente. Felizmente, algumas iniciativas começam a aparecer no Brasil – antes tarde do que nunca – no sentido de criar, resgatar e trabalhar com arquivos. Vai nesta direção a aposta do Prêmio Investidor Profissional de Arte – PIPA – ao realizar pequenas entrevistas via Skype com todos os artistas indicados ao prêmio. Estas entrevistas procuram ouvi-los brevemente sobre sua obra, seu processo criativo, seu ambiente de trabalho, suas inquietações e demandas. Estes vídeos estão disponíveis no site do PIPA e junto à página de cada artista indicado. A idéia é que possam ser atualizados a partir de novas indicações dos artistas ao prêmio, mas sempre tendo como prioridade os indicados pela primeira vez.

Olhando com a vista fixada no presente, podem parecer mero registro ocasional e superficial. Todavia, nosso esforço é o de ir além do olhar mais concentrado e focado do mercado de arte que repete nomes para inflacionar valores. O registro aberto e descentralizado amplia o ângulo de atenção registrando a diversidade da cena local. Entre o crivo fechado do mercado e a indiferença do não-critério, as entrevistas e as páginas dos artistas indicados ao PIPA são um retrato panorâmico da arte contemporânea brasileira.
Nestes três anos já foram feitas 195 entrevistas com 159 artistas diferentes, morando em cidades tão distintas como Riachão do Jacuípe na Bahia, em Belém, em Piraquara no Paraná, em Berlim, em Estocolmo, e claro, no Rio, em São Paulo e nas principais capitais. As várias micro-cenas que compõem a cena contemporânea brasileira podem ser vistas e avaliadas, revelando diferenças e convergências. Em que medida todos estes artistas são contemporâneos? Que Brasil – no plural – fala através de suas inquietações criativas? Como eles dividem horizontes poéticos comuns?

Quando o PIPA procurou a produtora Matrioska para realizar estes vídeos, tinha como meta montar um pequeno banco de dados sobre a arte brasileira contemporânea. Se a premiação visa o reconhecimento e a distinção, a construção de uma memória contemporânea visava a análise ampliada do circuito. Naturalmente, são os artistas que moram na “periferia” os mais interessados na realização dos vídeos. Se não têm computador com câmera dão seu jeito para terem a possibilidade de se apresentar para o circuito maior.
Temos certeza que a continuidade destes registros e a combinação deles com a renovação das páginas dos artistas – que tem que ser feita em parceria com os artistas e suas respectivas galerias – potencializarão a relevância deste banco de dados. Um número crescente de interessados, de pesquisadores a colecionadores, já começam a usar o site do PIPA para o benefício de todos. Já é comum recebermos e-mails de pesquisadores, nacionais e internacionais (ele é bilíngüe, português/inglês), que usaram o site e que nos agradecem por termos disponibilizado tudo na rede.

Vai ser com a construção de arquivos e de uma memória crítica da arte brasileira que o nosso circuito irá conseguir responder, sem deixar-se atropelar, pela euforia crescente do mercado internacional, cujos interesses, seus mais legítimos interesses, são míopes e não prezam o tempo intensivo necessário para a construção de poéticas com a densidade que lhes é própria. Arquivos, todos eles, reclamam filtros, critérios, conflitos e, acima de tudo, temporalidades heterogêneas, não sincrônicas e não imediatistas. O PIPA tenta fazer a sua parte. / Luiz Camillo Osorio – Curador do MAM-Rio e Conselheiro do PIPA

Acesse a página de vídeos para ver outras entrevistas com artistas indicados.



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