“Margens” | Marcone Moreira

(Marabá, PA)

O artista Marcone Moreira apresenta o projeto colaborativo “Margens”, realizado com carpinteiros navais das margens dos rios Tocantins e Itacaiúnas, no Pará. A apresentação acontecerá no auditório do Campus I da Universidade Federal do Pará (Marabá), no dia 16 de novembro, às 15h, com a presença do artista.

Na ocasião, será lançado um catálogo com registros do processo e um texto da curadora Marisa Mokarzel. “Margens” teve o apoio da Fundação Nacional das Artes (Funarte) através da Bolsa de Estímulo à Produção em Artes Visuais 2013.

Após participar da Bienal Internacional de Curitiba, da coletiva “Mundos Cruzados”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, e de ver o seu trabalho na itinerância do Prêmio Marcantonio Vilaça que passou por cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, o artista plástico Marcone Moreira se dedica a finalização do seu maior projeto em 2013 e engana-se quem pensa que será uma exposição. O projeto “Margens”, aprovado via um edital (Bolsa de Estímulo à Produção em Artes Visuais, 2013) da Fundação Nacional das Artes (Funarte), dará a possibilidade ao artista de poder compartilhar o resultado de três meses de trabalho com ribeirinhos e barqueiros da cidade numa apresentação pública no auditório do Campus I da Universidade Federal do Pará, em Marabá, no dia 16 de novembro, às 15h.

Ao elaborar o projeto, Marcone teve a intenção de dar continuidade à pesquisa que realiza desde 2000 sobre a visualidade das populações ribeirinhas de Marabá. Nos últimos projetos o resultado foi a apropriação e ressignificação de peças dessas comunidades, mas desta vez o artista sentiu necessidade de aprofundar as relações de trabalho com os barqueiros, com uma atenção especial ao sistema econômico e simbólico dos mesmos.

“Margens” teve como foco a dinâmica de troca material e simbólica, que permitiu ao artista ir além da apropriação de elementos residuais das canoas, algo que faz parte da sua prática artística. A ideia foi participar ativamente de toda uma rede de relações dos barqueiros, por meio da construção de três novas canoas em um dos estaleiros à margem do rio Tocantins, percebendo uma nova relação entre o trabalho do artista e o universo da carpintaria naval. As canoas usadas serão desmontadas para a realização de uma série de futuros trabalhos que rearranjem o seu potencial estético e simbólico.

Natural da cidade de Pio XII, no Maranhão, Marcone adotou Marabá há mais de dez anos como moradia e celeiro de suas pesquisas voltadas ao universo visual de uma cidade entrecruzada por dois grandes rios, o Tocantins e o Itacaiúnas. “O meu processo de pesquisa envolve o interesse sobre os estaleiros localizados às margens desses rios, onde observo e recolho material destinado à produção do meu trabalho. É necessário refletir sobre o universo das embarcações, sua iconografia e técnicas construtivas. Isso contribui para o entendimento da minha prática artística, para noções de autoria, apropriação, construção e desconstrução, alta e baixa cultura, dentro do imaginário ribeirinho de Marabá e da Amazônia”, comenta Marcone, que em sua fala na UFPA pretende focar no processo e nas características experimentais do projeto que foi documentado a cada etapa.

As etapas para chegar à margem

Tendo o acompanhamento periódico da pesquisadora em arte, Marisa Mokarzel, o projeto foi organizado em três etapas. Primeiro foi feito um mapeamento que localizou e os estaleiros de construção de embarcações em Marabá. Junto aos carpinteiros navais foram recolhidos dados sobre procedimentos, técnicas construtivas e decorativas das canoas. Foi elaborada então uma proposta de trabalho coletivo e levantamento de necessidades técnicas para a execução do trabalho, seguido da constituição de uma equipe e aquisição de madeiras, tinta, ferramentas de construção, etc.

Foram consumidos dois meses na etapa de produção, nos quais as três canoas foram construídas e passaram pela fase de pintura e calafetação (técnica de isolamento das fendas com algodão e breu). As canoas novas foram então trocadas pelas usadas, que seguiram para o atelier do artista para serem desmontadas.

Marcone já finaliza o projeto com a organização de um catálogo que documenta todo o processo e que será distribuído no dia da apresentação na UFPA.

Por Killzy Lucena

“Margens”
16 de novembro de 2013 – 15h
Campus I – Universidade Federal do Pará



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